quarta-feira, 8 de novembro de 2017

DEPRESSÃO - MINHAS NOVAS PERSPECTIVAS

Há muitos anos vinha crendo e aceitando as explicações cientificistas sobre a depressão e as suas causas químicas, como a diminuição dos neurotransmissores: serotonina, noradrenalina e dopamina, entre todos os outros paradigmas psiquiátricos.

Cansei-me de ver a psiquiatria como sendo o saber e o poder institucionalizados; hoje, me sinto inclinado a pensar na depressão como a ressaca de consequência de uma vida desregrada, indisciplinada e longe da presença de Deus.

Mas por quê?

Porque agora estou consciente que o objetivo dos poderosos é usar a psiquiatria para enlouquecer as pessoas, julgo que tudo o que pensava saber sobre a depressão é mentira. Há séculos que os poderosos se utilizam dos locais de recolhimento e exclusão social como depósitos de indivíduos por motivos dos mais ambíguos e variados.

Vemos na história que com o desaparecimento da lepra, essas estruturas de confinamento permaneceram e, frequentemente, nos mesmos locais os jogos da exclusão foram retomados.  

Após as epidemias de lepra vieram os espaços sociais de exclusão para aqueles que adquiriram doenças venéreas . Eis aí a necessidade de um novo confinamento; uma nova razão para as exclusões sociais.

Nesses grandes enclausuramentos eram abrigados prostitutas, libertinos, sifilíticos, doentes venéreos, desafetos dos governantes, doentes moribundos, mendigos, andarilhos, desordeiros, loucos, esposas indesejadas e todo tipo de marginais. 

Com um sentido inteiramente novo, pobres, vagabundos, presidiários e alienados mentais assumiram o papel que antes era destinado aos leprosos.  

A própria história da psiquiatria nos prova que não há interesse algum na pessoa humana, mas tão somente no domínio, no comércio, no lucro e no poder institucional.

Essas são as minhas razões para abandonar por completo as minhas esperanças na psiquiatria como instrumento de cura para qualquer tipo de distúrbio mental.

Logo que comentei minhas novas perspectivas e inclui a ausência de fé entre os sintomas, me fizeram a seguinte pergunta:

“E como explicar o caso dos Padre que entraram em Deprê ????”

A qual respondi:

Ser padre não garante a comunhão com Deus, essa ligação é individual. Se um padre ao invés de cumprir sua vocação, vira celebridade, todas as suas opiniões terão de ser contrárias as suas reais convicções. Do contrário será crucificado publicamente, taxado de fanático, ignorante e preconceituoso e perderá totalmente a credibilidade.

Exatamente essa duplicidade entre o que se diz e o que se pensa de fato é que os fazem adoecer.

A verdade é que a dinastia Rockefeller financiou o instituto Tavistock, fundado em 1947, para desenvolver técnicas de manipulação da mente.

Essa família também é a dona da indústria farmacêutica, ou seja, o Tavistock é um instituto de engenharia comportamental e social a serviço da família Rockefeller que quer vender remédios.

Ninguém deseja a cura, mas a doença de todos, assim ganham mais dinheiro. Por isso, hoje, tudo tem um rótulo para classificar comportamentos como sendo doenças mentais: hiperativos, bordelines, vítimas de distúrbio de ansiedade generalizado, transtorno bipolar, pânico e síndromes de todos os tipos.

Aparentemente isso tudo é mentira, esses comportamentos provavelmente não são doenças, mas consequências das indisciplinas;  da obstinação nas práticas perversas, da perseverança no pecado.
O fato é que os pais não educam, não punem e não recompensam; as crianças são mimadas, têm de tudo, a babá é a internet. Logo, assim que crescem viram uma cambada de frouxos mimados que não sabem ouvir um não.

Como na vida ouvimos diversos “nãos” e o mundo não está nem aí para os nossos chiliques, esses se entristecem, se rebelam, teimam, engravidam, viram ateus, anarquistas, libertinos, porém, esses nomes que dei não serão usados por se tratarem de nomes adotados pela cultura judaico-cristã. 

Serão substituídos e rotulados por alguma suposta doença psiquiátrica formatada e desenvolvida no Instituto Tavistock de engenharia comportamental.

Desse modo, convencidos de que os maus comportamentos são doenças e não obstinação na prática do que não é saudável, daquilo que o cristianismo chama de pecado e, portanto, é prejudicial, passaremos a nos medicar ao invés de nos disciplinar e mudarmos de atitude, de comportamento e de mentalidade.

Isso perpetuará a suposta doença que não passa de obstinação na prática do que não é saudável, daquilo que a bíblia chama de pecado, de errar o alvo; o objetivo da criação.

O natural e o saudável é nos entristecermos nalguns períodos como na adolescência. Todo adolescente tem crises existenciais, sempre foi assim, mas hoje não deixam a pessoa sentir, metem remédios nelas.
Isso não é saudável, pois precisamos das tristezas, das crises para nos desenvolvermos como seres humanos, são as crises que nos tornam fortes. Saímos delas melhores. Se não tivermos crises, não amadureceremos, seremos eternos idiotas.

E esse é o objetivo desses poderosos: criar um bando de gente idiotizada, abestalhada, sem tutano nos ossos do caráter. Assim, podem nos manipular livremente à vontade.

Por isso, se estiver com depressão, reestabeleça imediatamente a sua comunhão com Deus, busque o arrependimento e se converta dos seus maus caminhos. Mude de vida! Claro que conforme o nível da depressão será necessário o uso de medicamentos, porém, por TEMPO LIMITADO! Jamais torne-se dependente do médico ou dos remédios. Use os medicamentos quando necessário com moderação, sabedoria e prudência. Como se fosse um gesso para as emoções quebradas.

Saiba que Deus está dentro de você, não está nos templos ou nas religiões, busque-O dentro e O achará.

Tudo se resolverá com esses passos simples e, tenha certeza, a cura virá!

Depressão não é uma doença incurável, incurável é a ganancia dos donos da Indústria farmacêutica.

Pensa comigo:

Se vivermos da maneira que não está em acordo com aquilo que é considerado saudável, isso gerará consequências. Uma delas será a tristeza pelos resultados que obtivermos e, aí, para que não sintamos essa tristeza, tomaremos uma droga lícita (remédio) que anestesiará a nossa sensação de frustração e tristeza.


Será que o que os antidepressivos fazem não é isso? Anestesiar-nos das sensações, pois quando paramos de tomá-los as sensações voltam; então são drogas anestésicas, não têm a intenção de curar, mas de entorpecer.


Se não estou disposto a mudar, se continuo agindo desordenadamente e egoisticamente, e a depressão me alcança, provavelmente ela seja um agente de transformação, não uma doença, mas uma bênção que me ajudará na mudança necessária.


Daí, ao invés de recebê-la e acolhe-la, me dopo com antidepressivos e continuo vivendo de forma errada. Aquilo que era para ser uma ferramenta de transformação foi anulado por uma droga lícita.

Outra questão a salientar é que quando a pessoa tem fé, ela tem esperança, e a fé vem da comunhão com Deus, pelo ouvir a Palavra de Deus, de ter o conhecimento e entendimento dela. Logo, quem não faz isso perde a esperança e se afunda na depressão.
Não há comunhão com Deus sem fé e não há fé sem esperança, logo a chave da saúde, assim como a chave da vida está em permanecermos em Deus, Ele em nós e nós Nele.

Mesmo assim, é claro, teremos muitos momentos ruins, de desânimo total e de desesperança, apenas não viraremos escravos dos Rockefellers, pois isso não durará a vida toda, mas tão somente momentos.

Há muitas coisas que podem nos conduzir a depressão: autossuficiência; autocomiseração; egoísmo; hedonismo, materialismo, enfim, são inúmeros os erros que cometemos que nos conduzirá a essa crise existencial que hoje foi batizada pelo nome de depressão.

Quando não aceitamos as coisas como são, mesmo sabendo que não temos o poder de mudá-las;

quando não conseguimos digerir nossas perdas;

quando negamos a realidade;

quando buscamos atalhos na vida;

quando nos entorpecemos com drogas (incluindo cerveja, rivotril e prozac);

quando nos tornamos obstinados em adquirir ou conseguir algo que sozinhos jamais teremos;
quando nos julgamos os únicos justos, certos e verdadeiros;

quando nos colocamos sempre como vítimas;

quando cremos que os outros ou a sociedade nos deve algo;

quando sistematicamente nos recusamos a nos arrepender e a mudar de direção e de atitudes;

quando somos mimados, birrentos e intransigentes...

Estamos aquecendo o vulcão que entrará em erupção sob a forma de depressão.


Cláudio Nunes Horácio

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Vinícius tinha razão: “o sofrimento é o intervalo entre duas felicidades”

Por 
 Pamela Camocardi

A vida não é um comercial da margarina. O correr dela envolve aprendizagem nos piores momentos, alegrias depois de muito esforço e cura depois de muitas feridas.
E, para piorar, bate no estilo que Rocky Balboa definiu: “ninguém vai bater mais forte do que a vida.
não importa como você vai bater e sim o quanto aguenta apanhar e continuar lutando; o quanto pode suportar e seguir em frente. É assim que se ganha”.
Há muitas teorias sobre felicidade e sobre como alcançá-la, inclusive a de que você tem que correr atrás para merecê-la. Quanta bobagem! Primeiro porque felicidade não é um objetivo a ser alcançado, segundo porque você não é um maratonista da São Silvestre. Que fique claro: felicidade é um estado de espírito e não um objetivo de vida.
É bom estarmos felizes mas, nesse estágio, não há nenhum tipo de aprendizagem. Para que possamos evoluir como seres humanos, muitas vezes, a felicidade vem embalada em um papel de sofrimento. Entenda que não há felicidade sem dor e não há dor sem aprendizagem. Ninguém aprende sobre economia, se nunca precisou economizar. Ninguém aprende sobre morte, se nunca enfrentou um luto. Ninguém adquire inteligência emocional, se nunca foi rejeitado.
Estar no processo de aprendizagem, mesmo que diante de um sofrimento, é enriquecedor. Aprendemos a repartir, a ser solidários, a sermos compreensíveis. O que, aliás, não aconteceria se a vida fosse só risos. A verdade a gente precisa mesmo de uns tapas na cara para enxergar a realidade tal qual ela é e para aprender a valorizar o que, realmente, importa.
Note que as pessoas mais incríveis do mundo são dotadas de sabedoria, de inteligência e discrição e adquiriram essas qualidades depois de muitas lágrimas. As músicas mais belas foram criadas em um momento de melancolia e os poemas mais profundos em um momento de saudade. Então, meu caro, sinta-se privilegiado em sofrer.
Vinícius só soube falar de solidão, depois de passar por nove grandes amores e definia a alegria como, quase, inatingível (tão romântico, quanto exagerado). “É curioso, a alegria não é um sentimento nem uma atmosfera de vida nada criadora. Eu só sei criar na dor e na tristeza, mesmo que as coisas que resultem sejam alegres. Não me considero uma pessoa negativa, quer dizer, eu não deprimo o ser humano. É por isso que acho que estou vivendo num movimento de equilíbrio infecundo do qual estou tentando me libertar. O paradigma máximo para mim seria: a calma no seio da paixão. Mas realmente não sei se é um ideal humanamente atingível.”
Beethoven redigiu a Nona Sinfonia em momentos de profunda tristeza e Fernando Pessoa escreveu a maioria de seus textos quando se sentia entediado (isso explica, talvez, tantos heterônimos). Agora seja sincero, o que leva você a pensar que a vida seria diferente com você?
Pode parecer estranho, mas tão importante quanto o amor, é o sofrer. Se sem o amor a vida é triste, sem o sofrimento não há evolução intelectual e emocional. Proust afirmava que “Só nos curamos de um sofrimento depois de o haver suportado até ao fim”. Sofrimento é passageiro, mas o ensinamento adquirido com ele, eterno. É preciso ver além do muro e acreditar que dias melhoras virão.
Ninguém sofre para sempre, nem chora o tempo todo. Sempre haverá outros amores, outros motivos, outras alegrias. Encarar um sofrimento como um desafio é ser merecedor da felicidade que virá depois dele.
Aprenda a superar os desafios impostos pela vida. Chore, grite, sofra, mas supere. Porque sofrer é teu direito, mas superar é sua obrigação.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

A IGREJA ESTÁ ACIMA DA BÍBLIA?

Igreja é conjunto de discípulos do Senhor Jesus Cristo.

Igreja NUNCA foi, nem jamais será, uma instituição religiosa.

Logo, ela não é nem romana e nem protestante, mas é católica no sentido de ser universal, onde há todas as etnias: judeus e gentios.

As Escrituras são o compêndio das decisões da Igreja, além é claro, de registrar a biografia do Senhor Jesus Cristo nos 4 Evangelhos e a história da Igreja em Atos.

A questão é que os discípulos primitivos tiveram o cuidado de deixar por escrito àquilo que a igreja deveria fazer, praticar e obedecer ou desprezar e abominar.

Fizeram isso por necessidade, já que as viagens eram longas, e para que as suas decisões não se perdessem no tempo. Logo, decidiram deixar registrados e documentados aquilo que julgaram ser a coisa certa a se fazer nas diversas situações cotidianas, individuais e/ou coletivas.

A Igreja primitiva era perseguida brutalmente até a suposta conversão do imperador Constantino em 312 a.D., depois veio Teodósio I que em 380 a.D. estabelece o cristianismo como a religião oficial do império romano, através do Édito de Tessalônica.

Com a institucionalização do cristianismo como a religião oficial do Império Romano, todos os moradores do império supostamente se converteram ao cristianismo.

Só que a conversão a Cristo é algo de foro íntimo e individual e, jamais, poderia se dar por decreto imperial. Foi isso que fez com que os verdadeiros discípulos de Jesus Cristo, que escreveram as Sagradas Escrituras para a preservação da doutrina, fossem misturados com o joio imperial.

É aí que surge a Igreja Católica Apostólica Romana, com discípulos de Jesus Cristo misturados ao joio imposto pelo imperador. 

Foi no Sínodo de Laodicéia em 360 a.D. que a Igreja Católica Romana estabeleceu o cânon das Escrituras, isso é um fato histórico!

A questão não é QUEM estabeleceu o cânon, mas quem APÓS estabelecer o cânon como Palavra de Deus inspirada, PERMANECEU FIEL aos seus ensinamentos e quem se desviou profundamente dos ensinos registrados na Palavra de Deus (as Sagradas Escrituras).

Ou seja, a Igreja Católica Apostólica Romana estabeleceu quais textos fariam parte do cânon da bíblia e, posteriormente, sistematicamente e lentamente foi se desviando dos seus ensinamentos e tomando caminhos condenados por ela.

As Escrituras Sagradas são as instruções primárias dos apóstolos, a instituição chamada Igreja Católica Apostólica Romana a preservou, organizou, e canonizou; isso é fato histórico!

Agora, a confusão está em dizer que as Escrituras são aquilo que a Igreja Católica Apostólica Romana pregava, ensinava e praticava de forma não grafada, antes de haver qualquer Escritura. Pois o fato é que antes de haver qualquer Escritura do Novo Testamento, os verdadeiros discípulos do Senhor Jesus (que faziam parte da Igreja Primitiva muito antes de surgir a Igreja Católica Romana), praticavam, pregavam e ensinavam o que consta nas Escrituras.

Quem nos deixou as Escrituras do Novo Testamento foram OS DISCÍPULOS de Jesus Cristo, ou a Igreja Primitiva e não A IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA, pois essa ainda não existia.

Jesus Cristo NUNCA FUNDOU IGREJA INSTITUCIONAL ALGUMA, jamais pensou em Igreja como instituição, mas SEMPRE como um conjunto de pessoas que creem Nele. Como um organismo vivo que é a sua noiva.

A instituição Igreja Católica Apostólica Romana não é a Igreja de Jesus Cristo, não é a noiva do Cordeiro e não é a detentora dos oráculos de Deus. (Nem a igreja evangélica ou alguma outra instituição).

 A ÚNICA IGREJA DE JESUS CRISTO SÃO O CONJUNTO DAS PESSOAS QUE SÃO VERDADEIRAMENTE CONVERTIDAS, QUE SÃO LUZ DO MUNDO, SAL DA TERRA E SÃO TRIGO.

Qualquer instituição mistura o joio com o trigo. Já a verdadeira Igreja do Senhor Jesus Cristo não tem joio. Ela é invisível e só quem a conhece é Deus.

Jesus disse que odeia essa diferenciação entre clero e leigos:
“Assim tens também os que seguem a doutrina dos nicolaítas, o que eu odeio.” (Ap 2:15)

OBS: A Palavra de Deus é Jesus; Jesus é a Palavra de Deus. Não confunda o Filho de Deus com o livro. A Igreja é o corpo de Cristo, é um organismo; não confunda esse organismo com uma instituição religiosa.

Cláudio Nunes Horácio



segunda-feira, 30 de outubro de 2017

QUE ORA DEVEMOS USAR OS PALAVRÕES?

É imprescindível enxergarmos as pessoas como de fato são: os avarentos; os gananciosos; os mentirosos; os manipuladores; os demagogos; os políticos; os egoístas, os moralistas; os ateus na prática, que se dizem cristãos, mas que sua conduta nos denuncia o contrário.

Não digo isso para julgá-los e nem para condená-los, mas protegermos o nosso coração deles, visto que a nossa bondade não pode ser cega. Não podemos andar tateando a realidade, mas é preciso que a olhemos de frente para que nos inteiremos de qual seja ela.

Não tapar o sol com a peneira é vida, é sabedoria.

Balança desigual é pecado, jamais permita que haja dois pesos e duas medidas. Quem não lhe visitou na enfermidade não pode cobrar visita quando a dele chegar, simples assim!

Quem nada faz por ti não pode lhe obrigar a fazer por ele, mesmo que a cara de pau e o descaramento dessa pessoa sejam a tal ponto de lhe cobrar.

Os palavrões foram inventados justamente para serem usados nesses momentos, quando o abuso é tamanho que palavras normais não descrevem a indignação que estamos sentindo como o velho e bom “vá a puta que o pariu!”.

Palavrões são verbalizações explicitas de indignação justa, quando a cara de pau da pessoa é tamanha que lhe cobra sem nunca lhe ter lhe dado nada.


Se não lhe devemos nada e a pessoa tem a ousadia de nos cobrar, então, não nos resta alternativa, senão, usar a força das palavras chulas, irmãs dos folgados da face de madeira, envernizadas de descaramento malicioso e perverso.

Cláudio

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

O cão de guarda da Inquisição - Por Lucas Banzoli

Suponhamos que eu queira matar o Fulano, mas não queria me manchar de sangue com essa morte. Então eu peço que Beltrano faça o trabalho sujo em meu lugar, matando aquele indivíduo que eu não quero mais ver vivo. Se Beltrano começar a relutar ou a pensar muito, eu começo a fazer uso da minha autoridade para ameaçá-lo. Eu digo que se ele não me obedecer e não matar o Fulano, ele vai sofrer sérias consequencias, como ser deposto de algum cargo que ocupe em sua empresa. Após insistir e ameaçar Beltrano, ele aceita a proposta e mata o Fulano.
A imprensa fica revoltada, porque Fulano morreu por minha culpa. Ela sabe que eu pedi que Beltrano o matasse, mas eu me defendo, dizendo:
– Eu não matei ninguém! Quem matou foi o Beltrano, aquele malvado e perverso! Eu sou do bem, veja como as minhas mãos não estão sujas de sangue!
Embora a opinião popular da cidade seja massivamente em favor da minha punição (e não apenas da punição de Beltrano), uma meia dúzia de retardados mentais, que sofreram forte carga de lavagem cerebral por toda a vida ao ponto de se tornarem zumbis, começam a fazer campanha em meu favor, dizendo:
– Apenas o Beltrano é culpado, parem de falar mal do Lucas! O Lucas matou pouca gente, mas esse Beltrano aí é um bandido sem escrúpulos da pior espécie, é ele o culpado por todos os males! Só o Beltrano é responsável pela morte do Fulano; se só dependesse da vontade do Lucas nada disso teria acontecido!
                                                                  ***
Sim, esta é uma estória fictícia. Graças a Deus eu não matei ninguém; afinal, não sou a Igreja Católica. Mas ela serve como analogia para mostrar a safadeza de certos apologistas católicos pilantras que tentam defender a inquisição jogando toda a culpa no poder civil. Sempre quando um protestante cita algum episódio de chacina, tortura, massacre, execução ou horrores de qualquer espécie, o papista se defende jogando toda a culpa dessas milhões de mortes nas costas do poder civil, ficando apenas com uma pequena quantidade de execuções atribuídas à Igreja propriamente dita.
Muitos católicos aceitam apenas 6 mil mortes na conta da inquisição, enquanto outros ainda mais lunáticos dizem que foi apenas 30, e outros, bisonhamente, dizem que a inquisição nunca existiu, da mesma forma que alguns neo-nazistas negam o holocausto. E se algum protestante cita os vários casos onde pessoas não-católicas foram ameaçadas, perseguidas, torturadas, queimadas ou executadas de alguma maneira, imediatamente o papista tira a carta na manga que todo embusteiro tem: a culpa é do poder civil, e a Igreja não tem nada a ver com isso!
O que o apologista católico definitivamente não vai contar a você é que, assim como no exemplo ilustrativo do início do artigo, o poder civil matava porque era a própria Igreja que mandava que ele matasse. Ou seja, a Igreja matava alguns (uma minoria) de forma direta, através de suas próprias instituições internas, e outros (a maioria) ela matava de forma indireta, compelindo o poder secular a matar, sob ameaças de excomunhão e até de deposição do cargo.
Eu poderia citar aqui centenas de historiadores que confirmam isso, mas aí os revisionistas iriam rebater com a meia dúzia de “historiadores” revisionistas que eles usam e ficaríamos eternamente em um fogo cruzado de citações de historiador x e y. Por isso, eu preferi acabar logo com a palhaçada revisionista e pesquisar nas fontes primárias, ou seja, nos próprios concílios ecumênicos da Igreja Romana daquela época. Ao pesquisar sobre a relação entre a Igreja e o poder secular, ficou claro que o poder secular não matava contra a vontade da Igreja (como os papistas embusteiros afirmam), mas sim por causa da vontade da Igreja.
O Quarto Concílio de Latrão (1123), por exemplo, determina que os hereges sejam entregues às autoridades seculares, para a “devida punição”:
“Nós excomungamos e anatematizamos toda heresia erguida contra a fé santa, católica e ortodoxa que temos exposto acima. Condenamos todos os hereges, quaisquer que sejam os nomes que podem ir abaixo. Eles têm rostos diferentes, mas na verdade suas caudas são amarradas juntas, na medida em que são similares em seu orgulho. Que aqueles condenados sejam entregues às autoridades seculares presentes, ou aos seus oficiais de justiça, para a devida punição[1]
Portanto, embora seja verdade que geralmente era o poder secular que matava os “hereges”, era a Igreja que entregava essas pessoas ao poder secular, em vez dela ser essa coisa boazinha que se opunha às autoridades civis malvadas, como os apologistas católicos costumam pintar. A Igreja Romana pregava abertamente a “censura eclesiástica”, na qual as autoridades seculares eram compelidas a exterminar os “hereges” da terra deles:
“Que as autoridades seculares tenham isso em conta e, se for necessário, que sejam obrigados pela censura eclesiástica, se desejam ser reputados por fieis, que façam um juramento público pela defesa da fé no sentido de que vão buscar, na medida do possível, exterminar (exterminare) das terras sujeitas a sua jurisdição a todos os hereges designados pela Igreja. Portanto, cada vez que alguém é promovido a autoridade espiritual ou temporal, está obrigado a confirmar este artigo com um juramento”[2]
Embora nas traduções que consultei do referido concílio (para o português e para o espanhol) conste a palavra “expulsar”, eu conferi que o original em latim traz o termo exterminare, que eu acho que ninguém precisa ser expert em latim para saber o que significa. Os tradutores católicos, tentando suavizar a monstruosidade do concílio, mudam as palavras para se ajustar à versão mais “tolerante” da Igreja moderna. Note ainda que o mesmo cânone diz que quando alguém é promovido a autoridade espiritual ou temporal ela se torna OBRIGADA a confirmar este artigo (que manda exterminar os hereges) sob juramento. Nada que se pareça com o poder civil matando contra a vontade da Igreja!
O mesmo concílio insano ainda ameaça severamente as autoridades civis que rejeitarem seguir essas ordens para matar os hereges:
“Se, contudo, um senhor temporal, que recebeu as instruções exigidas pela igreja, se esquecer de limpar o seu território desta porcaria herética, ele deve ser vinculado com o vínculo de excomunhão dos bispos metropolitanos e outros da província. Se ele se recusa a dar satisfação dentro de um ano, a mesma será comunicada ao Sumo Pontífice para que ele possa, em seguida,declarar seus vassalos absolvidos de sua fidelidade para com ele e tornar a terra disponível para ocupação dos católicos para que estes possam, depois de ter expulsado os hereges, não fazer oposição e preservar a pureza da fé[3]
O cânone acima é autoexplicativo. A autoridade civil que se recusasse a “limpar seu território” dos hereges (=exterminar todos eles) seria primeiro excomungada, e se mesmo assim ela continuasse se recusando a seguir a ordem da Igreja este senhor feudal perderia a sua propriedade(!), todos os seus vassalos estariam livres de obedecê-lo e ocupariam as terras deste senhor a la MST, para então fazer o que este senhor não fez: acabar com os hereges. Os católicos que assim agissem, exterminando os hereges, ganhariam a mesma indulgência prometida para aqueles que lutassem nas Cruzadas, ou seja, a Igreja bancaria o assassinato do cidadão, concedendo-lhe indulgência:
“Católicos que tomam a cruz e avançam para cima a fim de exterminar os hereges gozarão da mesma indulgência, e reforçadas pelo mesmo privilégio santo, como é concedido para aqueles que vão para o auxílio da Terra Santa. Além disso, determinamos excomunhão aos crentes que recebem, defendem ou apoiam os hereges”[4]
Além disso, no Terceiro Concílio de Latrão (1179) a Igreja incentivava a escravidão dos “hereges”, mandava confiscar os seus bens e ordenava que os católicos os atacassem com armas:
“Os seus bens estão a ser confiscados e os príncipes estão livres para submetê-los à escravidão (...). Na autoridade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, concedemos aos fiéis cristãos que peguem em armas contra eles”[5]
O poder secular estava tão intimamente relacionado ao poder eclesiástico que a ele era atribuída rotineiramente a linguagem de “braço”, ou seja, como uma mera extensão do corpo (Igreja), em vez de um entidade totalmente à parte, como os fanáticos papistas querem nos convencer. Vale lembrar que naquela época inexistia o conceito moderno de “Estado Laico”, ou seja, não havia separação entre Igreja e Estado, e o Estado também era católico, governado por reis católicos e submetidos à obediência da Igreja, que em alguns casos chegou até mesmo a depor os reis(!), como quando o papa Gregório VII depôs o imperador Enrique IV, dizendo:
“Proíbo ao rei Enrique, o qual, por insensato orgulho, se lançou contra a Igreja, governar o reino da Alemanha e da Itália. E desligo a todos os cristãos do juramento que os unia a ele, e proíbo a todo o mundo que o reconheça como rei’”[6]
E, de fato, Enrique foi deposto do cargo!
É interessante notar que os papas naquela época tinham um poder temporal tão grande quanto o dos reis e do imperador (e às vezes até maior!), chegando muitas vezes a depor ou a excomungar reis, e, mesmo assim, nunca chegou a excomungar nenhum rei por matar ou torturar “hereges”. Este fato, por si só, já deveria ser o bastante para calar a boca daqueles que dizem que o poder secular malvadão matava todo mundo contra a vontade da Igreja, que, coitadinha, nada podia fazer para impedir toda essa carnificina.
A Igreja tinha poder para impedir, mas nunca impediu, porque considerava o poder secular o seubraço para o qual ela entregava à morte quem ela considerava “herege”, tal como diz o Quarto Concílio de Latrão:
“Se qualquer pessoa age de outra forma, deixe-a saber que ela foi atingida pela espada da excomunhão e se ela não retornar a seus sentidos será deposta no ministério da igreja, com o braço secular a ser chamado em caso necessário, para abafar tamanha audácia”[7]
O cânon 71, falando sobre a “trégua de Deus”, diz que “o poder secular será invocado pela autoridade eclesiástica contra eles”[8]. Como vemos, o poder secular não era outra coisa senão uma ferramenta usada pela Igreja para punir quem ela achava que devia ser punido. O poder secular não estava em conflito com a Igreja, mas a serviço dela! Desde pelo menos o Segundo Concílio de Latrão (1139) a Igreja se utilizava do poder secular para exigir a punição dos hereges:
“Aqueles que, simulando um tipo de religiosidade, condenam os sacramentos, nós expulsamos da igreja de Deus e condenamos como hereges, e exigimos que eles sejam constrangidos pelo poder secular[9]
O Concílio de Florença (1431), longe de coibir a carnificina e de separar Estado e Igreja, só piora o preconceito, intolerância, tirania e monstruosidade praticados pela Igreja mediante o seu “braço secular”. Podemos começar mostrando a discriminação covarde imposta contra os judeus convertidos, os quais eram proibidos de prosseguir com seus costumes judaicos sob a ameaça dos inquisidores e do “auxílio do braço secular”:
“Os convertidos devem ser proibidos, sob pena de severas sanções, de enterrar seus mortos de acordo com o costume judaico ou de observar de alguma forma o sábado e outras solenidades e rituais de sua seita. Em vez disso, eles devem frequentar nossas igrejas e sermões, tal como os outros católicos, e conformar-se em tudo aos costumes cristãos. Aqueles que mostrarem desprezo a isso devem ser delatados aos bispos diocesanos ou aos inquisidores de heresia por seus párocos, ou por outros que lhe são confiadas por lei ou costume antigo sobre tais assuntos.Deixem-nos serem punidos, com o auxílio do braço secular se necessário, para dar exemplo aos demais[10]
Se essa era a situação do judeu convertido, imagine como era a situação do judeu não-convertido! Felizmente, você não precisa imaginar nada. O próprio concílio responde isso por nós:
“Além disso, renovamos os cânones sagrados, que ordenam os bispos diocesanos e os poderes seculares a proibir em todos os sentidos judeus e outros infieis de ter cristãos, homens ou mulheres, em suas famílias prestando serviços, ou como enfermeiros de seus filhos, e os cristãos de entrar com eles em festas, casamentos, banquetes ou banhos, ou em muita conversa, ou em tomá-los como médicos ou agentes de casamentos ou mediadores nomeados oficialmente de outros contratos. A eles não devem ser dadas outras repartições públicas, ou admitidos a quaisquer graus acadêmicos. Eles estão proibidos de comprar livros eclesiásticos, cálices, cruzes e outros ornamentos de igrejas, sob pena da perda do objeto, ou a aceitá-los em penhor, sob pena de perda do dinheiro que emprestou. Eles estão obrigados, sob severas penas, de usar algum vestuário em que possam ser claramente distinguidos dos cristãos. A fim de evitar relações sexuais mútuas, eles devem habitar em áreas distantes, nas cidades e vilas que estão para além das residências dos cristãos e o mais distante possível de igrejas. Nos domingos e outras festas solenes que não se atrevam a abrir suas lojas ou trabalhar em público”[11]
Este preconceito covarde e desumano contra o povo judeu torna-se ainda mais deplorável quando constatamos que esses mesmos judeus eram em geral mais bem tratados pelos sarracenos (muçulmanos) do que pelos próprios católicos. Os judeus conviviam pacificamente com os muçulmanos em Jerusalém, quando o exército de bárbaros e selvagens conhecidos como “cruzados” entrou na cidade, matando ao fio da espada homens, mulheres, crianças e bebês, e reuniu os judeus na sinagoga, onde foram, sem piedade, queimados vivos[12]. Depois que os cristãos tomaram posse da cidade, os judeus fugiram para as cidades muçulmanas e bizantinas, onde havia mais tolerância.
Geoffrey Blainey afirma que na nova Roma católica as sinagogas, que por vezes tinham estado a favor dos governadores romanos, eram agora desprezadas. Em menos de um século, os judeus perderam seu direito de casar-se com cristãos, a não ser que mudassem de religião, e perderam seu direito de servir o exército. Não podiam tentar converter outras pessoas à sua religião; em vários lugares, as multidões destruíam sinagogas”[13]. Não há nada que Hitler tenha sentido contra os judeus que já não tivesse sido instigado, há muito antes, pelos católicos romanos – e apoiados nos próprios concílios oficiais da Igreja, dito “infalíveis” (leia-se: preconceituosamenteinfalíveis).
O mesmo concílio ainda mostra o juramento que o novo integrante do clero tinha que prestar, e que, entre outras coisas, prescrevia a entrega ao “braço secular” para lidar com os hereges:
“Esta é a fé, santo pai, que eu juro e prometo manter e observar e ver que ela é mantida e observada em todos os detalhes. Eu me engajarei e solenemente prometo privar de todos os seus bens e benefícios, de excomungar e denunciar como herético e condenado, quem rejeitar isso e levantar-se contra isso, e, se ele for obstinado, para degradá-lo e entregá-lo ao braço secular[14]
Essa realidade se fez bastante presente na condenação do grande John Huss, um dos pré-reformadores mais importantes, o qual foi queimado vivo na fogueira enquanto cantava um hino de louvor a Deus. No caso dele, bem como no de muitos outros, a Igreja o entregou às autoridades seculares, sabendo que a decisão já estava tomada – a morte na fogueira:
“Este santo sínodo de Constança abandona John Huss ao juízo da autoridade secular e decreta que ele será abandonado ao tribunal secular”[15]
Um dos artigos condenados de John Huss, mencionados no mesmo Concílio de Constança (1414), é um em que Huss diz:
“Os doutores que afirmam que toda pessoa submetida a censura eclesiástica, se se recusa a ser corrigido, deve ser entregue ao juízo da autoridade secular, estão, sem dúvida, seguindo os sacerdotes, os escribas e os fariseus que entregaram à autoridade secular o próprio Cristo, pois eles não estava dispostos a cumprir todas as coisas, dizendo: ‘Não é lícito para nós colocar qualquer homem à morte’, e estes deram-lhe ao juiz civil, de modo que estes homens são assassinos ainda maiores do que Pilatos”[16]
Huss comparava o que o catolicismo romano fazia em sua época com aquilo que os fariseus e mestres da lei fizeram com Cristo. Os fariseus não mataram Jesus com suas próprias mãos, mas queriam vê-lo morto e para isso o entregaram à autoridade civil. No entanto, em vez de Jesus dizer que a culpa recaía apenas sobre Pilatos (autoridade civil), ele disse que aqueles que o tinham entregado a ele (autoridades religiosas) tinham culpa maior ainda do que Pilatos (Jo.19:11). O catolicismo romano fazia exatamente a mesma coisa em pleno século XV. O apelo de Huss não adiantou, e ele acabou sendo queimado vivo do mesmo jeito.
Não satisfeito com isso, o papa Martinho V (1417-1471) ainda enviou uma carta ao rei da Polônia ordenando o extermínio dos hussitas (seguidores de John Huss):
"Saiba que os interesses do Santo Governo, e daqueles de sua coroa, consideram o seu dever exterminar os hussitas. Lembre-se de que essas pessoas ímpias se atrevem a proclamar princípios de igualdade; eles afirmam que todos os cristãos são irmãos... que Cristo veio a terra para abolir a escravidão; eles chamam as pessoas à liberdade, isto é à aniquilação de reis e bispos. Enquanto ainda há tempo, pois, levante suas forças contra a Boêmia; queime, massacre, faça desertos por toda parte, porque nada poderia ser mais agradável a Deus, ou mais útil para a causa dos reis, do que o extermínio dos hussitas"[17]
Era essa a verdadeira relação entre a Igreja e o Estado. O Estado não era um vilão malvado que matava pessoas pelas costas da Igreja santa e inocente, mas era um comparsa por ela compelido a continuar matando em nome da fé católica. Antes de surgir o nefasto e abominável revisionismo católico moderno, com a sua meia dúzia de “historiadores” selecionados a dedo e ainda deturpados, virtualmente todos os historiadores do planeta reconheciam este fato óbvio, inclusive Ignaz von Döllinger, que foi o maior historiador eclesiástico do século XIX, o qual afirmou:
"Através da atividade incansável dos papas e seus legados... a posição da Igreja era [que] todo desvio do ensinamento da Igreja, e toda oposição importante a qualquer ordenança eclesiástica, de­viam ser punidos com morte, e a mais cruel das mortes, pelo fogo... Eram os papas que incentivavam bispos e padres a condenar os heterodoxos à tortura, confisco de seus bens, aprisionamento, e morte, e impor a execução dessa sentença às autoridades civis, sob pena de excomunhão... Todo papa confirmava ou acrescentava aos artifícios de seu antecessor... [envolvendo] a Inquisição, que contradizia os princípios mais simples da justiça cristã e o amor ao próximo, e teria sido rejeitada com horror universal na igreja primitiva"[18]
Portanto, da próxima vez que um papista mentiroso e covarde tentar salvar a inquisição católica ou as milhões de mortes da Igreja jogando toda a culpa nas costas do poder civil, jogue os concílios infalíveis da Igreja dele na cara dele mesmo, lhe fazendo correr de vergonha por ter um dia sugerido tamanha sandice de que o Estado matava hereges contra a vontade da Igreja. Isso sem falar que, em alguns casos (e não poucos), eram as próprias instituições da Igreja que se dedicavam a torturar e matar pessoas, sem terceirizar para o Estado, o que posteriormente passou a ser o modelo mais comum. Assim, o Concílio de Tolosa (1229) prescreve:
“Proibimos os leigos de possuírem o Velho e o Novo Testamento... Proibimos ainda mais severamente que estes livros sejam possuídos no vernáculo popular. As casas, os mais humildes lugares de esconderijo, e mesmo os retiros subterrâneos de homens condenados por possuírem as Escrituras devem ser inteiramente destruídos. Tais homens devem ser perseguidos e caçados nas florestas e cavernas, e qualquer que os abrigar será severamente punido”[19]
E o papa Inocêncio IV, em sua Bula Ad Extirpanda (1252), já ordenava torturar o “herege” até o limite da diminuição de membro e perigo de morte:
“Além disto, que a Autoridade ou Dirigente seja obrigado a forçar todos os hereges, os que tiver capturado, a confessar seus erros expressamente, como verdadeiramente ladrões e homicidas de almas, e surrupiadores dos sacramentos de Deus e da fé cristã, e a acusar outros hereges, os que conhecem, e os crentes e os receptadores, e os defensores deles, assim como são forçados os surrupiadores e os ladrões das coisas temporais, a acusar seus cúmplices e a confessar os malefícios que fizeram, até o limite da diminuição de membro e perigo de morte[20]
Essas coisas que vimos neste artigo não foram ditas por um Paulo Leitão ou padre Paulo Ricardo, que são absolutamente insignificantes em termos de representação da Igreja. Ao contrário, foram ditas por papas infalíveis, em concílios infalíveis, ou em bulas infalíveis. A partir do momento em que uma religião proclama como infalível um concílio ou um papa totalmente preconceituoso contra os judeus e que manda matar os hereges em qualquer lugar ou torturá-los até o limite da diminuição do membro e do risco de morte, é que podemos ter alguma noção do fundo do poço em que esta instituição já chegou.
O historiador Jean Duché resume toda essa monstruosidade sem fim presente nos própriosinterrogatórios da Igreja quando diz:
“Torturar um suspeito para obter sua confissão era lhe fazer um favor. Inocêncio IV autorizou a tortura nos casos extremos, e uma só vez; os inquisidores concluíram disso que uma só vez por cada interrogatório. Com o chicote, o fogo, a permanência prolongada no fundo de uma masmorra, assando os pés do acusado com carvões ardendo, amarrando-o sobre um aparato de tortura e separando-o docilmente os membros do corpo com a ajuda de uma tesoura..., tinha que ser o diabo para não obter uma confissão. Certo que o tribunal, em sua sabedoria, sabia que as confissões assim tiradas não tinham valor; e esta dificuldade se remediava fazendo com que o acusado as confirmasse três horas depois, bem entendido que, se se retratasse, poderia voltar a recomeçar a coisa. Esses entravam em um ciclo perpétuo, e aos que se obstinavam em negar e estavam convencidos, e aos que haviam confessado seu erro mas haviam recaído nele, os relapsos, o tribunal os entregava ao braço secular para sua execução, recordando que a Igreja tinha horror a todo derramamento de sangue. Por isso os queimavam: assim o sangue não corria; na Espanha esta cerimônia se chamava um ato de fé, auto da fe[21]
Em todos estes anos de apologética, a única coisa que ainda me inquieta é entender como que certos apologistas católicos, sabendo ser ele um mentiroso, desleal, charlatão, revisionista e desonesto, consegue colocar a cabeça no travesseiro para dormir à noite, consciente de que no dia seguinte irá acordar para enganar mais católicos ingênuos com desculpas que ele sabe que são mentirosas, mas que servem para ludibriar os incautos na defesa de uma Igreja encharcada de sangue.
Sim, na grande maioria das vezes, era mesmo o Estado que matava. Mas o Estado era apenas o cão de guarda da inquisição, cumprindo rigorosamente as ordens de um tirano maior, o qual é ainda mais responsável pelos crimes cometidos. Diante dos fatos históricos incontestáveis, dizer que era o Estado e não a Igreja que matava é, como bem observa Elisson Freire, como dizer que não foi seu cachorro que mordeu, mas sim os dentes do cachorro.
  
Paz a todos vocês que estão em Cristo.