segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Amor não é devoção idolátrica


Convém que definamos exatamente o que é amar alguém daquilo que seja adoração ou devoção a outrem.
Amar alguém é o enxergarmos com suas qualidades e os seus defeitos e, mesmo assim, o admirarmos por quem ele é. É entendermos que não gostamos dos seus defeitos, mas que as suas qualidades são superiores àquilo que não gostamos nele, bem como ter consciência de que possuímos os nossos defeitos e mesmo assim somos amados e admirados pela superioridade das nossas qualidades.

Idolatrar a outrem é construirmos um altar no coração e entronizar uma imagem falsa a respeito de quem seja o outro, ou seja, lhe damos qualidades que ele não possui, enxergamos uma beleza inexistente em pontos estratégicos da sua personalidade; nos auto enganos para que continuemos de joelhos o adorando como bons devotos que desejamos continuar a ser.

Isso porque nos negamos a reconhecer que nos enganamos em relação ao outro e que, se assumirmos esse fato, teremos que lidar com a culpa, a frustração e as dores decorrentes desse engano. Nos auto sabotamos para que não tenhamos que assumir que projetamos qualidades que o outro nunca possuiu, mas que precisávamos delas nele, portanto, as inventamos para consumo próprio.

Somos muito covardes em matéria de mudanças, ninguém deseja mudar, mas a vida é um carrasco cruel quando decide que é hora de crescermos e mudarmos de etapa. Ela não poupa ninguém, ou mudamos por vontade própria, ou ela cria situações onde nos será impossível ficar inertes.
Quantas vezes nos diminuímos para nos enquadrar ao tamanho do outro? Quantas vezes nos sabotamos para que os projetos do outro dê certo enquanto os nossos fracassam?

Será possível amar ao outro em detrimento de nós mesmos? Ou será que não nos amamos e nos convencemos que só o outro será capaz de nos amar e nos suprir desse amor que buscamos? Será que aquele que não lhe venera como você o venera também o vê como você o vê? Ou seja: de forma fiel, devota e idolátrica?

Idolatria é pecado, seja em que forma for: idolatrar filho, cônjuge, pais ou quem seja É PECADO! Adoração é destinada somente a Deus e a mais ninguém!

Seu cônjuge não é melhor que você, ele não é mais do que você em nada, pois somos todos minúsculos diante daquilo que Deus planejou para que fôssemos. Estamos todos num mesmo nível de pequenez. Uns são melhores que outros em algo específico; outros são melhores que uns noutras coisas específicas, pois todos estão debaixo da deficiência humana adquirida quando nos afastamos de Deus.

Ninguém é mais que ninguém, você não é pouco pra ele e ele não é pouco pra você; ambos são débeis em tudo para que a graça de Deus sobreponha-os no orgulho, na teimosia, na inteligência, na obstinação da prática do mal.

Enfia na sua cabeça, ninguém é bom, ninguém é melhor do que você; você não é melhor do que ninguém. Somos todos pecadores aguardando a misericórdia divina a nos mostrar a nossa mediocridade nata. Não se rebaixe e não se exalte diante de ninguém, alinhe-se a todos os outros seres humanos.

SOMOS TODOS IGUAIS DIANTE DE DEUS. Por isso, não seja tiete de ninguém, mas protagonista da sua história.


Cláudio                       

LAVAGEM CEREBRAL - PLAYLIST

quinta-feira, 27 de julho de 2017

NÃO HÁ NADA MAIS ERÓTICO DO QUE UMA BOA CONVERSA

“Não há nada mais erótico do que uma boa conversa.” E isso pode soar estranho, porque estamos saturados de conversas rasas, com pessoas rasas, falando sempre as mesmas coisas, sem o menor interesse e chegando a lugar nenhum.
Mas, uma boa conversa, uma diálogo de verdade, é o que há de mais erótico em uma relação, porque são as palavras que mostram os poros do rosto da vida e isso é muito mais belo e excitante do que enxergar o tempo inteiro maquiagens em rostos que transpiram falsidade.
Uma boa conversa é aquela em que não temos medo de dizer nada. Tudo pode ser dito, colocado na mesa, debatido, rebatido, formulado, reformulado. As palavras são lançadas como o fluxo do nosso pensamento, mostrando o que realmente pensamos sobre as coisas, sem hipocrisia ou fingimento; a nossa bagunça interior representada por palavras que sempre querem dizer alguma coisa, mas nem sempre encontram a organização semântica necessária; mostrando a alma despida e escancarada, pronta para ser tocada.
E porque a alma está escancarada, fala-se sobre tudo, desde os assuntos mais triviais aos mais existencialistas. Conversa-se sobre a preguiça que sentimos ao acordar cedo, a quantidade de açúcar que gostamos no café, sobre música, cinema e política, sobre o pé na bunda mais engraçado que já levamos, o momento de maior constrangimento, o primeiro amor, discute-se a existência de deus, a felicidade, o amor, para que lugar se vai após a morte, sobre o que queremos da vida e o que já estamos de saco cheio.
As frustrações, os medos, as angústias, as imperfeições, os pecados silenciosos, deixados em oculto. Ou seja, uma boa conversa é aquela em que as almas encostam-se e beijam-se, procurando não separar-se e encontrar pontos que as tornem mais conectadas e apaixonadas.
Por estarmos imersos em relacionamentos tão superficiais, talvez seja difícil acreditar que existam relacionamentos humanos em que a conversa exerce o enlace erótico entre as pessoas, de modo a torná-las insistentemente desejosas por mais do outro. Entretanto, é justamente pela falta de comunicação que estamos carentes de pessoas interessantes, capazes de nos “prender” por horas, como se fossem minutos, tão somente pela troca de palavras que imergem em todos os cantos do nosso ser.
Na maior parte dos relacionamentos, sejam entre amantes, amigos, familiares, etc., o que vai afastando as pessoas e, consequentemente, permitindo desabar a ponte que as une e no seu lugar fazendo emergir barreiras, reside na maneira como lidamos com o mundo que forma o outro. Ou seja, é preciso viajar no mundo deste, comprar a sua loucura, a sua dor, os seus sonhos, para que deixemos de pensar apenas em nós mesmos, para que possamos sair do nosso mundo e interagir com o mundo do outro, e, assim, compreendê-lo.
Sendo assim, a comunicação é imprescindível para que duas almas se mantenham juntas e apaixonadas, já que, quando deixamos de ter interesse no universo que compreende uma alma distinta da nossa, tornamo-la pequena e, então, o outro se fecha para nós, bem como, a paixão se esvai, porque já não existe eroticidade nas palavras, as quais, não raras vezes, deixam, inclusive, de ser ditas.
Se há algo de divino no mundo, sem dúvida alguma se manifesta no espaço colocado entre duas almas que anseiam para se tocar e isso só é possível quando permitimos que estas dialoguem com verdade e beleza, pois somente, dessa forma, tem-se a eroticidade necessária para transformar duas almas distintas vagando pelo nada em duas almas conectadas, compartilhando a vida em suas grandiosas imperfeições e nos seus pequenos milagres, já que mesmo depois do gozo do corpo, as palavras sempre permitem a continuidade do gozo na alma."