quarta-feira, 11 de outubro de 2017

O cão de guarda da Inquisição - Por Lucas Banzoli

Suponhamos que eu queira matar o Fulano, mas não queria me manchar de sangue com essa morte. Então eu peço que Beltrano faça o trabalho sujo em meu lugar, matando aquele indivíduo que eu não quero mais ver vivo. Se Beltrano começar a relutar ou a pensar muito, eu começo a fazer uso da minha autoridade para ameaçá-lo. Eu digo que se ele não me obedecer e não matar o Fulano, ele vai sofrer sérias consequencias, como ser deposto de algum cargo que ocupe em sua empresa. Após insistir e ameaçar Beltrano, ele aceita a proposta e mata o Fulano.
A imprensa fica revoltada, porque Fulano morreu por minha culpa. Ela sabe que eu pedi que Beltrano o matasse, mas eu me defendo, dizendo:
– Eu não matei ninguém! Quem matou foi o Beltrano, aquele malvado e perverso! Eu sou do bem, veja como as minhas mãos não estão sujas de sangue!
Embora a opinião popular da cidade seja massivamente em favor da minha punição (e não apenas da punição de Beltrano), uma meia dúzia de retardados mentais, que sofreram forte carga de lavagem cerebral por toda a vida ao ponto de se tornarem zumbis, começam a fazer campanha em meu favor, dizendo:
– Apenas o Beltrano é culpado, parem de falar mal do Lucas! O Lucas matou pouca gente, mas esse Beltrano aí é um bandido sem escrúpulos da pior espécie, é ele o culpado por todos os males! Só o Beltrano é responsável pela morte do Fulano; se só dependesse da vontade do Lucas nada disso teria acontecido!
                                                                  ***
Sim, esta é uma estória fictícia. Graças a Deus eu não matei ninguém; afinal, não sou a Igreja Católica. Mas ela serve como analogia para mostrar a safadeza de certos apologistas católicos pilantras que tentam defender a inquisição jogando toda a culpa no poder civil. Sempre quando um protestante cita algum episódio de chacina, tortura, massacre, execução ou horrores de qualquer espécie, o papista se defende jogando toda a culpa dessas milhões de mortes nas costas do poder civil, ficando apenas com uma pequena quantidade de execuções atribuídas à Igreja propriamente dita.
Muitos católicos aceitam apenas 6 mil mortes na conta da inquisição, enquanto outros ainda mais lunáticos dizem que foi apenas 30, e outros, bisonhamente, dizem que a inquisição nunca existiu, da mesma forma que alguns neo-nazistas negam o holocausto. E se algum protestante cita os vários casos onde pessoas não-católicas foram ameaçadas, perseguidas, torturadas, queimadas ou executadas de alguma maneira, imediatamente o papista tira a carta na manga que todo embusteiro tem: a culpa é do poder civil, e a Igreja não tem nada a ver com isso!
O que o apologista católico definitivamente não vai contar a você é que, assim como no exemplo ilustrativo do início do artigo, o poder civil matava porque era a própria Igreja que mandava que ele matasse. Ou seja, a Igreja matava alguns (uma minoria) de forma direta, através de suas próprias instituições internas, e outros (a maioria) ela matava de forma indireta, compelindo o poder secular a matar, sob ameaças de excomunhão e até de deposição do cargo.
Eu poderia citar aqui centenas de historiadores que confirmam isso, mas aí os revisionistas iriam rebater com a meia dúzia de “historiadores” revisionistas que eles usam e ficaríamos eternamente em um fogo cruzado de citações de historiador x e y. Por isso, eu preferi acabar logo com a palhaçada revisionista e pesquisar nas fontes primárias, ou seja, nos próprios concílios ecumênicos da Igreja Romana daquela época. Ao pesquisar sobre a relação entre a Igreja e o poder secular, ficou claro que o poder secular não matava contra a vontade da Igreja (como os papistas embusteiros afirmam), mas sim por causa da vontade da Igreja.
O Quarto Concílio de Latrão (1123), por exemplo, determina que os hereges sejam entregues às autoridades seculares, para a “devida punição”:
“Nós excomungamos e anatematizamos toda heresia erguida contra a fé santa, católica e ortodoxa que temos exposto acima. Condenamos todos os hereges, quaisquer que sejam os nomes que podem ir abaixo. Eles têm rostos diferentes, mas na verdade suas caudas são amarradas juntas, na medida em que são similares em seu orgulho. Que aqueles condenados sejam entregues às autoridades seculares presentes, ou aos seus oficiais de justiça, para a devida punição[1]
Portanto, embora seja verdade que geralmente era o poder secular que matava os “hereges”, era a Igreja que entregava essas pessoas ao poder secular, em vez dela ser essa coisa boazinha que se opunha às autoridades civis malvadas, como os apologistas católicos costumam pintar. A Igreja Romana pregava abertamente a “censura eclesiástica”, na qual as autoridades seculares eram compelidas a exterminar os “hereges” da terra deles:
“Que as autoridades seculares tenham isso em conta e, se for necessário, que sejam obrigados pela censura eclesiástica, se desejam ser reputados por fieis, que façam um juramento público pela defesa da fé no sentido de que vão buscar, na medida do possível, exterminar (exterminare) das terras sujeitas a sua jurisdição a todos os hereges designados pela Igreja. Portanto, cada vez que alguém é promovido a autoridade espiritual ou temporal, está obrigado a confirmar este artigo com um juramento”[2]
Embora nas traduções que consultei do referido concílio (para o português e para o espanhol) conste a palavra “expulsar”, eu conferi que o original em latim traz o termo exterminare, que eu acho que ninguém precisa ser expert em latim para saber o que significa. Os tradutores católicos, tentando suavizar a monstruosidade do concílio, mudam as palavras para se ajustar à versão mais “tolerante” da Igreja moderna. Note ainda que o mesmo cânone diz que quando alguém é promovido a autoridade espiritual ou temporal ela se torna OBRIGADA a confirmar este artigo (que manda exterminar os hereges) sob juramento. Nada que se pareça com o poder civil matando contra a vontade da Igreja!
O mesmo concílio insano ainda ameaça severamente as autoridades civis que rejeitarem seguir essas ordens para matar os hereges:
“Se, contudo, um senhor temporal, que recebeu as instruções exigidas pela igreja, se esquecer de limpar o seu território desta porcaria herética, ele deve ser vinculado com o vínculo de excomunhão dos bispos metropolitanos e outros da província. Se ele se recusa a dar satisfação dentro de um ano, a mesma será comunicada ao Sumo Pontífice para que ele possa, em seguida,declarar seus vassalos absolvidos de sua fidelidade para com ele e tornar a terra disponível para ocupação dos católicos para que estes possam, depois de ter expulsado os hereges, não fazer oposição e preservar a pureza da fé[3]
O cânone acima é autoexplicativo. A autoridade civil que se recusasse a “limpar seu território” dos hereges (=exterminar todos eles) seria primeiro excomungada, e se mesmo assim ela continuasse se recusando a seguir a ordem da Igreja este senhor feudal perderia a sua propriedade(!), todos os seus vassalos estariam livres de obedecê-lo e ocupariam as terras deste senhor a la MST, para então fazer o que este senhor não fez: acabar com os hereges. Os católicos que assim agissem, exterminando os hereges, ganhariam a mesma indulgência prometida para aqueles que lutassem nas Cruzadas, ou seja, a Igreja bancaria o assassinato do cidadão, concedendo-lhe indulgência:
“Católicos que tomam a cruz e avançam para cima a fim de exterminar os hereges gozarão da mesma indulgência, e reforçadas pelo mesmo privilégio santo, como é concedido para aqueles que vão para o auxílio da Terra Santa. Além disso, determinamos excomunhão aos crentes que recebem, defendem ou apoiam os hereges”[4]
Além disso, no Terceiro Concílio de Latrão (1179) a Igreja incentivava a escravidão dos “hereges”, mandava confiscar os seus bens e ordenava que os católicos os atacassem com armas:
“Os seus bens estão a ser confiscados e os príncipes estão livres para submetê-los à escravidão (...). Na autoridade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, concedemos aos fiéis cristãos que peguem em armas contra eles”[5]
O poder secular estava tão intimamente relacionado ao poder eclesiástico que a ele era atribuída rotineiramente a linguagem de “braço”, ou seja, como uma mera extensão do corpo (Igreja), em vez de um entidade totalmente à parte, como os fanáticos papistas querem nos convencer. Vale lembrar que naquela época inexistia o conceito moderno de “Estado Laico”, ou seja, não havia separação entre Igreja e Estado, e o Estado também era católico, governado por reis católicos e submetidos à obediência da Igreja, que em alguns casos chegou até mesmo a depor os reis(!), como quando o papa Gregório VII depôs o imperador Enrique IV, dizendo:
“Proíbo ao rei Enrique, o qual, por insensato orgulho, se lançou contra a Igreja, governar o reino da Alemanha e da Itália. E desligo a todos os cristãos do juramento que os unia a ele, e proíbo a todo o mundo que o reconheça como rei’”[6]
E, de fato, Enrique foi deposto do cargo!
É interessante notar que os papas naquela época tinham um poder temporal tão grande quanto o dos reis e do imperador (e às vezes até maior!), chegando muitas vezes a depor ou a excomungar reis, e, mesmo assim, nunca chegou a excomungar nenhum rei por matar ou torturar “hereges”. Este fato, por si só, já deveria ser o bastante para calar a boca daqueles que dizem que o poder secular malvadão matava todo mundo contra a vontade da Igreja, que, coitadinha, nada podia fazer para impedir toda essa carnificina.
A Igreja tinha poder para impedir, mas nunca impediu, porque considerava o poder secular o seubraço para o qual ela entregava à morte quem ela considerava “herege”, tal como diz o Quarto Concílio de Latrão:
“Se qualquer pessoa age de outra forma, deixe-a saber que ela foi atingida pela espada da excomunhão e se ela não retornar a seus sentidos será deposta no ministério da igreja, com o braço secular a ser chamado em caso necessário, para abafar tamanha audácia”[7]
O cânon 71, falando sobre a “trégua de Deus”, diz que “o poder secular será invocado pela autoridade eclesiástica contra eles”[8]. Como vemos, o poder secular não era outra coisa senão uma ferramenta usada pela Igreja para punir quem ela achava que devia ser punido. O poder secular não estava em conflito com a Igreja, mas a serviço dela! Desde pelo menos o Segundo Concílio de Latrão (1139) a Igreja se utilizava do poder secular para exigir a punição dos hereges:
“Aqueles que, simulando um tipo de religiosidade, condenam os sacramentos, nós expulsamos da igreja de Deus e condenamos como hereges, e exigimos que eles sejam constrangidos pelo poder secular[9]
O Concílio de Florença (1431), longe de coibir a carnificina e de separar Estado e Igreja, só piora o preconceito, intolerância, tirania e monstruosidade praticados pela Igreja mediante o seu “braço secular”. Podemos começar mostrando a discriminação covarde imposta contra os judeus convertidos, os quais eram proibidos de prosseguir com seus costumes judaicos sob a ameaça dos inquisidores e do “auxílio do braço secular”:
“Os convertidos devem ser proibidos, sob pena de severas sanções, de enterrar seus mortos de acordo com o costume judaico ou de observar de alguma forma o sábado e outras solenidades e rituais de sua seita. Em vez disso, eles devem frequentar nossas igrejas e sermões, tal como os outros católicos, e conformar-se em tudo aos costumes cristãos. Aqueles que mostrarem desprezo a isso devem ser delatados aos bispos diocesanos ou aos inquisidores de heresia por seus párocos, ou por outros que lhe são confiadas por lei ou costume antigo sobre tais assuntos.Deixem-nos serem punidos, com o auxílio do braço secular se necessário, para dar exemplo aos demais[10]
Se essa era a situação do judeu convertido, imagine como era a situação do judeu não-convertido! Felizmente, você não precisa imaginar nada. O próprio concílio responde isso por nós:
“Além disso, renovamos os cânones sagrados, que ordenam os bispos diocesanos e os poderes seculares a proibir em todos os sentidos judeus e outros infieis de ter cristãos, homens ou mulheres, em suas famílias prestando serviços, ou como enfermeiros de seus filhos, e os cristãos de entrar com eles em festas, casamentos, banquetes ou banhos, ou em muita conversa, ou em tomá-los como médicos ou agentes de casamentos ou mediadores nomeados oficialmente de outros contratos. A eles não devem ser dadas outras repartições públicas, ou admitidos a quaisquer graus acadêmicos. Eles estão proibidos de comprar livros eclesiásticos, cálices, cruzes e outros ornamentos de igrejas, sob pena da perda do objeto, ou a aceitá-los em penhor, sob pena de perda do dinheiro que emprestou. Eles estão obrigados, sob severas penas, de usar algum vestuário em que possam ser claramente distinguidos dos cristãos. A fim de evitar relações sexuais mútuas, eles devem habitar em áreas distantes, nas cidades e vilas que estão para além das residências dos cristãos e o mais distante possível de igrejas. Nos domingos e outras festas solenes que não se atrevam a abrir suas lojas ou trabalhar em público”[11]
Este preconceito covarde e desumano contra o povo judeu torna-se ainda mais deplorável quando constatamos que esses mesmos judeus eram em geral mais bem tratados pelos sarracenos (muçulmanos) do que pelos próprios católicos. Os judeus conviviam pacificamente com os muçulmanos em Jerusalém, quando o exército de bárbaros e selvagens conhecidos como “cruzados” entrou na cidade, matando ao fio da espada homens, mulheres, crianças e bebês, e reuniu os judeus na sinagoga, onde foram, sem piedade, queimados vivos[12]. Depois que os cristãos tomaram posse da cidade, os judeus fugiram para as cidades muçulmanas e bizantinas, onde havia mais tolerância.
Geoffrey Blainey afirma que na nova Roma católica as sinagogas, que por vezes tinham estado a favor dos governadores romanos, eram agora desprezadas. Em menos de um século, os judeus perderam seu direito de casar-se com cristãos, a não ser que mudassem de religião, e perderam seu direito de servir o exército. Não podiam tentar converter outras pessoas à sua religião; em vários lugares, as multidões destruíam sinagogas”[13]. Não há nada que Hitler tenha sentido contra os judeus que já não tivesse sido instigado, há muito antes, pelos católicos romanos – e apoiados nos próprios concílios oficiais da Igreja, dito “infalíveis” (leia-se: preconceituosamenteinfalíveis).
O mesmo concílio ainda mostra o juramento que o novo integrante do clero tinha que prestar, e que, entre outras coisas, prescrevia a entrega ao “braço secular” para lidar com os hereges:
“Esta é a fé, santo pai, que eu juro e prometo manter e observar e ver que ela é mantida e observada em todos os detalhes. Eu me engajarei e solenemente prometo privar de todos os seus bens e benefícios, de excomungar e denunciar como herético e condenado, quem rejeitar isso e levantar-se contra isso, e, se ele for obstinado, para degradá-lo e entregá-lo ao braço secular[14]
Essa realidade se fez bastante presente na condenação do grande John Huss, um dos pré-reformadores mais importantes, o qual foi queimado vivo na fogueira enquanto cantava um hino de louvor a Deus. No caso dele, bem como no de muitos outros, a Igreja o entregou às autoridades seculares, sabendo que a decisão já estava tomada – a morte na fogueira:
“Este santo sínodo de Constança abandona John Huss ao juízo da autoridade secular e decreta que ele será abandonado ao tribunal secular”[15]
Um dos artigos condenados de John Huss, mencionados no mesmo Concílio de Constança (1414), é um em que Huss diz:
“Os doutores que afirmam que toda pessoa submetida a censura eclesiástica, se se recusa a ser corrigido, deve ser entregue ao juízo da autoridade secular, estão, sem dúvida, seguindo os sacerdotes, os escribas e os fariseus que entregaram à autoridade secular o próprio Cristo, pois eles não estava dispostos a cumprir todas as coisas, dizendo: ‘Não é lícito para nós colocar qualquer homem à morte’, e estes deram-lhe ao juiz civil, de modo que estes homens são assassinos ainda maiores do que Pilatos”[16]
Huss comparava o que o catolicismo romano fazia em sua época com aquilo que os fariseus e mestres da lei fizeram com Cristo. Os fariseus não mataram Jesus com suas próprias mãos, mas queriam vê-lo morto e para isso o entregaram à autoridade civil. No entanto, em vez de Jesus dizer que a culpa recaía apenas sobre Pilatos (autoridade civil), ele disse que aqueles que o tinham entregado a ele (autoridades religiosas) tinham culpa maior ainda do que Pilatos (Jo.19:11). O catolicismo romano fazia exatamente a mesma coisa em pleno século XV. O apelo de Huss não adiantou, e ele acabou sendo queimado vivo do mesmo jeito.
Não satisfeito com isso, o papa Martinho V (1417-1471) ainda enviou uma carta ao rei da Polônia ordenando o extermínio dos hussitas (seguidores de John Huss):
"Saiba que os interesses do Santo Governo, e daqueles de sua coroa, consideram o seu dever exterminar os hussitas. Lembre-se de que essas pessoas ímpias se atrevem a proclamar princípios de igualdade; eles afirmam que todos os cristãos são irmãos... que Cristo veio a terra para abolir a escravidão; eles chamam as pessoas à liberdade, isto é à aniquilação de reis e bispos. Enquanto ainda há tempo, pois, levante suas forças contra a Boêmia; queime, massacre, faça desertos por toda parte, porque nada poderia ser mais agradável a Deus, ou mais útil para a causa dos reis, do que o extermínio dos hussitas"[17]
Era essa a verdadeira relação entre a Igreja e o Estado. O Estado não era um vilão malvado que matava pessoas pelas costas da Igreja santa e inocente, mas era um comparsa por ela compelido a continuar matando em nome da fé católica. Antes de surgir o nefasto e abominável revisionismo católico moderno, com a sua meia dúzia de “historiadores” selecionados a dedo e ainda deturpados, virtualmente todos os historiadores do planeta reconheciam este fato óbvio, inclusive Ignaz von Döllinger, que foi o maior historiador eclesiástico do século XIX, o qual afirmou:
"Através da atividade incansável dos papas e seus legados... a posição da Igreja era [que] todo desvio do ensinamento da Igreja, e toda oposição importante a qualquer ordenança eclesiástica, de­viam ser punidos com morte, e a mais cruel das mortes, pelo fogo... Eram os papas que incentivavam bispos e padres a condenar os heterodoxos à tortura, confisco de seus bens, aprisionamento, e morte, e impor a execução dessa sentença às autoridades civis, sob pena de excomunhão... Todo papa confirmava ou acrescentava aos artifícios de seu antecessor... [envolvendo] a Inquisição, que contradizia os princípios mais simples da justiça cristã e o amor ao próximo, e teria sido rejeitada com horror universal na igreja primitiva"[18]
Portanto, da próxima vez que um papista mentiroso e covarde tentar salvar a inquisição católica ou as milhões de mortes da Igreja jogando toda a culpa nas costas do poder civil, jogue os concílios infalíveis da Igreja dele na cara dele mesmo, lhe fazendo correr de vergonha por ter um dia sugerido tamanha sandice de que o Estado matava hereges contra a vontade da Igreja. Isso sem falar que, em alguns casos (e não poucos), eram as próprias instituições da Igreja que se dedicavam a torturar e matar pessoas, sem terceirizar para o Estado, o que posteriormente passou a ser o modelo mais comum. Assim, o Concílio de Tolosa (1229) prescreve:
“Proibimos os leigos de possuírem o Velho e o Novo Testamento... Proibimos ainda mais severamente que estes livros sejam possuídos no vernáculo popular. As casas, os mais humildes lugares de esconderijo, e mesmo os retiros subterrâneos de homens condenados por possuírem as Escrituras devem ser inteiramente destruídos. Tais homens devem ser perseguidos e caçados nas florestas e cavernas, e qualquer que os abrigar será severamente punido”[19]
E o papa Inocêncio IV, em sua Bula Ad Extirpanda (1252), já ordenava torturar o “herege” até o limite da diminuição de membro e perigo de morte:
“Além disto, que a Autoridade ou Dirigente seja obrigado a forçar todos os hereges, os que tiver capturado, a confessar seus erros expressamente, como verdadeiramente ladrões e homicidas de almas, e surrupiadores dos sacramentos de Deus e da fé cristã, e a acusar outros hereges, os que conhecem, e os crentes e os receptadores, e os defensores deles, assim como são forçados os surrupiadores e os ladrões das coisas temporais, a acusar seus cúmplices e a confessar os malefícios que fizeram, até o limite da diminuição de membro e perigo de morte[20]
Essas coisas que vimos neste artigo não foram ditas por um Paulo Leitão ou padre Paulo Ricardo, que são absolutamente insignificantes em termos de representação da Igreja. Ao contrário, foram ditas por papas infalíveis, em concílios infalíveis, ou em bulas infalíveis. A partir do momento em que uma religião proclama como infalível um concílio ou um papa totalmente preconceituoso contra os judeus e que manda matar os hereges em qualquer lugar ou torturá-los até o limite da diminuição do membro e do risco de morte, é que podemos ter alguma noção do fundo do poço em que esta instituição já chegou.
O historiador Jean Duché resume toda essa monstruosidade sem fim presente nos própriosinterrogatórios da Igreja quando diz:
“Torturar um suspeito para obter sua confissão era lhe fazer um favor. Inocêncio IV autorizou a tortura nos casos extremos, e uma só vez; os inquisidores concluíram disso que uma só vez por cada interrogatório. Com o chicote, o fogo, a permanência prolongada no fundo de uma masmorra, assando os pés do acusado com carvões ardendo, amarrando-o sobre um aparato de tortura e separando-o docilmente os membros do corpo com a ajuda de uma tesoura..., tinha que ser o diabo para não obter uma confissão. Certo que o tribunal, em sua sabedoria, sabia que as confissões assim tiradas não tinham valor; e esta dificuldade se remediava fazendo com que o acusado as confirmasse três horas depois, bem entendido que, se se retratasse, poderia voltar a recomeçar a coisa. Esses entravam em um ciclo perpétuo, e aos que se obstinavam em negar e estavam convencidos, e aos que haviam confessado seu erro mas haviam recaído nele, os relapsos, o tribunal os entregava ao braço secular para sua execução, recordando que a Igreja tinha horror a todo derramamento de sangue. Por isso os queimavam: assim o sangue não corria; na Espanha esta cerimônia se chamava um ato de fé, auto da fe[21]
Em todos estes anos de apologética, a única coisa que ainda me inquieta é entender como que certos apologistas católicos, sabendo ser ele um mentiroso, desleal, charlatão, revisionista e desonesto, consegue colocar a cabeça no travesseiro para dormir à noite, consciente de que no dia seguinte irá acordar para enganar mais católicos ingênuos com desculpas que ele sabe que são mentirosas, mas que servem para ludibriar os incautos na defesa de uma Igreja encharcada de sangue.
Sim, na grande maioria das vezes, era mesmo o Estado que matava. Mas o Estado era apenas o cão de guarda da inquisição, cumprindo rigorosamente as ordens de um tirano maior, o qual é ainda mais responsável pelos crimes cometidos. Diante dos fatos históricos incontestáveis, dizer que era o Estado e não a Igreja que matava é, como bem observa Elisson Freire, como dizer que não foi seu cachorro que mordeu, mas sim os dentes do cachorro.
  
Paz a todos vocês que estão em Cristo.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Amor não é devoção idolátrica


Convém que definamos exatamente o que é amar alguém daquilo que seja adoração ou devoção a outrem.
Amar alguém é o enxergarmos com suas qualidades e os seus defeitos e, mesmo assim, o admirarmos por quem ele é. É entendermos que não gostamos dos seus defeitos, mas que as suas qualidades são superiores àquilo que não gostamos nele, bem como ter consciência de que possuímos os nossos defeitos e mesmo assim somos amados e admirados pela superioridade das nossas qualidades.

Idolatrar a outrem é construirmos um altar no coração e entronizar uma imagem falsa a respeito de quem seja o outro, ou seja, lhe damos qualidades que ele não possui, enxergamos uma beleza inexistente em pontos estratégicos da sua personalidade; nos auto enganos para que continuemos de joelhos o adorando como bons devotos que desejamos continuar a ser.

Isso porque nos negamos a reconhecer que nos enganamos em relação ao outro e que, se assumirmos esse fato, teremos que lidar com a culpa, a frustração e as dores decorrentes desse engano. Nos auto sabotamos para que não tenhamos que assumir que projetamos qualidades que o outro nunca possuiu, mas que precisávamos delas nele, portanto, as inventamos para consumo próprio.

Somos muito covardes em matéria de mudanças, ninguém deseja mudar, mas a vida é um carrasco cruel quando decide que é hora de crescermos e mudarmos de etapa. Ela não poupa ninguém, ou mudamos por vontade própria, ou ela cria situações onde nos será impossível ficar inertes.
Quantas vezes nos diminuímos para nos enquadrar ao tamanho do outro? Quantas vezes nos sabotamos para que os projetos do outro dê certo enquanto os nossos fracassam?

Será possível amar ao outro em detrimento de nós mesmos? Ou será que não nos amamos e nos convencemos que só o outro será capaz de nos amar e nos suprir desse amor que buscamos? Será que aquele que não lhe venera como você o venera também o vê como você o vê? Ou seja: de forma fiel, devota e idolátrica?

Idolatria é pecado, seja em que forma for: idolatrar filho, cônjuge, pais ou quem seja É PECADO! Adoração é destinada somente a Deus e a mais ninguém!

Seu cônjuge não é melhor que você, ele não é mais do que você em nada, pois somos todos minúsculos diante daquilo que Deus planejou para que fôssemos. Estamos todos num mesmo nível de pequenez. Uns são melhores que outros em algo específico; outros são melhores que uns noutras coisas específicas, pois todos estão debaixo da deficiência humana adquirida quando nos afastamos de Deus.

Ninguém é mais que ninguém, você não é pouco pra ele e ele não é pouco pra você; ambos são débeis em tudo para que a graça de Deus sobreponha-os no orgulho, na teimosia, na inteligência, na obstinação da prática do mal.

Enfia na sua cabeça, ninguém é bom, ninguém é melhor do que você; você não é melhor do que ninguém. Somos todos pecadores aguardando a misericórdia divina a nos mostrar a nossa mediocridade nata. Não se rebaixe e não se exalte diante de ninguém, alinhe-se a todos os outros seres humanos.

SOMOS TODOS IGUAIS DIANTE DE DEUS. Por isso, não seja tiete de ninguém, mas protagonista da sua história.


Cláudio                       

LAVAGEM CEREBRAL - PLAYLIST

quinta-feira, 27 de julho de 2017

NÃO HÁ NADA MAIS ERÓTICO DO QUE UMA BOA CONVERSA

“Não há nada mais erótico do que uma boa conversa.” E isso pode soar estranho, porque estamos saturados de conversas rasas, com pessoas rasas, falando sempre as mesmas coisas, sem o menor interesse e chegando a lugar nenhum.
Mas, uma boa conversa, uma diálogo de verdade, é o que há de mais erótico em uma relação, porque são as palavras que mostram os poros do rosto da vida e isso é muito mais belo e excitante do que enxergar o tempo inteiro maquiagens em rostos que transpiram falsidade.
Uma boa conversa é aquela em que não temos medo de dizer nada. Tudo pode ser dito, colocado na mesa, debatido, rebatido, formulado, reformulado. As palavras são lançadas como o fluxo do nosso pensamento, mostrando o que realmente pensamos sobre as coisas, sem hipocrisia ou fingimento; a nossa bagunça interior representada por palavras que sempre querem dizer alguma coisa, mas nem sempre encontram a organização semântica necessária; mostrando a alma despida e escancarada, pronta para ser tocada.
E porque a alma está escancarada, fala-se sobre tudo, desde os assuntos mais triviais aos mais existencialistas. Conversa-se sobre a preguiça que sentimos ao acordar cedo, a quantidade de açúcar que gostamos no café, sobre música, cinema e política, sobre o pé na bunda mais engraçado que já levamos, o momento de maior constrangimento, o primeiro amor, discute-se a existência de deus, a felicidade, o amor, para que lugar se vai após a morte, sobre o que queremos da vida e o que já estamos de saco cheio.
As frustrações, os medos, as angústias, as imperfeições, os pecados silenciosos, deixados em oculto. Ou seja, uma boa conversa é aquela em que as almas encostam-se e beijam-se, procurando não separar-se e encontrar pontos que as tornem mais conectadas e apaixonadas.
Por estarmos imersos em relacionamentos tão superficiais, talvez seja difícil acreditar que existam relacionamentos humanos em que a conversa exerce o enlace erótico entre as pessoas, de modo a torná-las insistentemente desejosas por mais do outro. Entretanto, é justamente pela falta de comunicação que estamos carentes de pessoas interessantes, capazes de nos “prender” por horas, como se fossem minutos, tão somente pela troca de palavras que imergem em todos os cantos do nosso ser.
Na maior parte dos relacionamentos, sejam entre amantes, amigos, familiares, etc., o que vai afastando as pessoas e, consequentemente, permitindo desabar a ponte que as une e no seu lugar fazendo emergir barreiras, reside na maneira como lidamos com o mundo que forma o outro. Ou seja, é preciso viajar no mundo deste, comprar a sua loucura, a sua dor, os seus sonhos, para que deixemos de pensar apenas em nós mesmos, para que possamos sair do nosso mundo e interagir com o mundo do outro, e, assim, compreendê-lo.
Sendo assim, a comunicação é imprescindível para que duas almas se mantenham juntas e apaixonadas, já que, quando deixamos de ter interesse no universo que compreende uma alma distinta da nossa, tornamo-la pequena e, então, o outro se fecha para nós, bem como, a paixão se esvai, porque já não existe eroticidade nas palavras, as quais, não raras vezes, deixam, inclusive, de ser ditas.
Se há algo de divino no mundo, sem dúvida alguma se manifesta no espaço colocado entre duas almas que anseiam para se tocar e isso só é possível quando permitimos que estas dialoguem com verdade e beleza, pois somente, dessa forma, tem-se a eroticidade necessária para transformar duas almas distintas vagando pelo nada em duas almas conectadas, compartilhando a vida em suas grandiosas imperfeições e nos seus pequenos milagres, já que mesmo depois do gozo do corpo, as palavras sempre permitem a continuidade do gozo na alma."

terça-feira, 25 de julho de 2017

DOR EMOCIONAL É INSUPORTÁVEL


As pessoas não querem saber, a maioria deseja viver feliz pra sempre alienada em sua vidinha medíocre. Fazendo fofoca da vida alheia, trabalhando feito uma mula para não ocorrer de, eventualmente, pensarem a respeito daquilo que interessa de fato sobre a vida e sobre a morte; sobre si mesmas e o seu funcionamento psicológico; sua humanidade e a sua mortalidade. Sobre Deus, a vida eterna, os valores concretos, a escala de valores valorizada no pós-túmulo e sobre as realidades invisíveis dos Céus e da Terra.

Inconsciência é a palavra chave para a humanidade; pois conhecer e saber, dói; isso nos faz tomarmos atitudes fora do padrão, o que nos levará ao isolamento intelectual que será quebrado muito casualmente por mais algum ser pensante que cruzarmos pelo caminho. E, isso, será coisa rara.

A solidão intelectual é penosa, dolorosa e geralmente trará o isolamento físico para evitarmos as dores emocionais e a molestação da ignorância, da pobreza de espírito e da escassez intelectual daqueles que vivem na matrix da demência coletiva.

Cláudio Nunes Horácio


quarta-feira, 5 de julho de 2017

ASSIM SERÁ



Alá era um dos deuses Árabes, um dos menores deuses e ficava praticamente escondido entre os outros deuses na cidade de Meca.

Exatamente por ser o menor dos deuses e não ter ninguém que o adorasse que Muhammad o batizou com o nome de Alá (que significa Deus).

Conforme o Livro de Daniel haverá um líder mundial, O Anticristo, com poderes absolutos que será eleito pelos 10 países mais poderosos do mundo...

????? (G7) Estados Unidos, Alemanha, Canadá, França, Itália, Japão e Reino Unido)
+3 (Rússia, China, África do Sul ou Brasil) = G10 ? ? ? ? ? Será ? ? ? ? ?

...além disso ele terá o apoio do Islã e da Igreja Católica. Provavelmente esse líder mundial será muçulmano e terá algum parentesco judeu, talvez sua mãe seja judia. Posteriormente esse líder destruirá a Igreja Católica.

Tudo indica que ele, O Anticristo, após ser eleito líder mundial conquistará a confiança mundial por feitos impressionantes como, por exemplo, selar a paz entre judeus e árabes, o que ninguém até hoje conseguiu.

Daniel diz que haverá 3 anos e meio de paz (falsa paz), mas após 3 anos e meio o Anticristo se revelará, quebrando todos os acordos de paz, então haverá uma grande perseguição tal qual nunca houve, principalmente aos judeus.

A marca da Besta (666) significa Alá, o profeta teria desenhado o símbolo que viu e os tradutores por desconhecerem aquela palavra que estava grafada em Árabe na visão de João, entenderam e interpretaram como sendo a grafia 666 em grego por ser muito semelhante à grafia Alá em Árabe.

Logo, o mundo será obrigado a se converter ao islamismo. A bandana e a tatuagem usadas pelos muçulmanos na mão e na fronte representam a marca da Besta citada em Apocalipse. No Apocalipse lemos que quem não tiver a marca da Besta não terá como sobreviver.

Na grande tribulação os cristãos sofrerão e morrerão. Na volta de Jesus Cristo haverá cristãos vivos, estes, logo após a ressurreição dos cristãos mortos, serão arrebatados para o encontro com o Senhor nos Céus (Jesus estará descendo, vindo, voltando).

À partir daí começa o Milênio, que é o reinado de Jesus Cristo sobre a Terra com os Seus escolhidos, havendo mil anos de paz .

Nessa época há toda uma população mundial ainda que não fizeram sua opção nem por Jesus, nem pela Besta.

Enquanto isso, o diabo estará preso, mas ainda será solto ao final do milênio. E então virá o Armagedom, a última batalha onde o diabo com todos os que o seguiram serão lançados no lago de fogo e enxofre, que é a segunda morte.

Após o Armagedom virá o juízo final e posteriormente Novos Céus e Nova Terra onde habitará a justiça, e já não existirá tristeza, morte, dor ou choro, pois o Reino de Deus se instalara definitivamente.

E cumprir-se-á o nosso clamor de milênios que diz:

“...santificado seja o Teu Nome, VENHA O TEU REINO; seja feita a Tua vontade, assim na Terra como no céu.”

AMÉM, ALELUIA, MARANATA!!!

Cláudio Nunes Horácio


sexta-feira, 30 de junho de 2017

"NOVA MÃE, NOVO MUNDO"


Ser mulher numa sociedade construída para atender as demandas masculinas é injusto e cruel, mas não é só isso, a biologia aumenta as discrepâncias, visto que mulher é uma geradora de vida, logo, fica responsável pela manutenção, educação e cuidados do mancebo.

Além desse fato há esse amor insano que as mães têm pelos filhos, capaz de ir até aos intestinos do inferno para socorrê-los, com graves riscos para si mesmas. Sempre os perdoando e procurando salvá-los de todos os males. O que diminui exageradamente as chances de humaniza-los (aos filhos homens).

As mulheres são cruéis com as mulheres: julgam-se, competem entre si, difamam-se, dissimulam... O que traz um grande prejuízo para elas mesmas, pois não havendo união, tudo fica mais difícil. Até entre mães e filhas há competição e deslealdades, o que geralmente não ocorre entre mães e filhos.

Hormonalmente há essa insanidade que ora as mantêm lúcidas; ora, ensandecidas; ora decididas; ora hesitantes; ora, apaixonadas; ora, indiferentes; ora, amorosas; ora, odientas...

Esse conjunto de fatores: biologia, educação, maternidade, amor incondicional, inimizades com outras mulheres, apenas complica ainda mais suas condições de vida nessa sociedade misógina e machista.

Além disso tudo, temos a questão do raciocínio emocional, que as fazem romantizar situações graves como se grave não fossem.

Para as mulheres sobram às obrigações de serem boas esposas, boas mães, boas profissionais, boas amantes, boas donas de casa, cozinheiras, boas mantenedoras; além de sempre terem que estar lindas, cheirosas, magras, elegantes, apresentáveis, dispostas e no cio.

Devem ser mulheres, fêmeas fatais, excelentes profissionais, esposas e mães dedicadas; jamais poderão estar fora de forma, ao menos, fora da forma que sociedade atual diz que devem ter: adelgaçadas, magras ou carnudas, malhadas, esculturais, peitudas, bundudas, acinturadas, siliconadas, “bototizadas” (que tem botox) e com carões de fome pelos homens.

Por outro lado temos as obrigações dos homens que resume-se tão somente a um comentário simplório dito pela maioria das mulheres e digno de uma síncope:

“Mas ele é trabalhador!”

PRONTO! O cara pode ser um canalha, lambão, escroto, ogro, machista, odioso, ignorante, babaca, relapso, ausente, agressivo, violento, adúltero, mulherengo, beberão, insano, bronco, um perfeito demônio encarnado; mas SE, ENTRETANTO, for trabalhador, ESTÁ PERDOADO.

E isso, justifica todos os seus péssimos e horrendos defeitos de caráter, desvios de conduta, falta de moral e ética.

Numa sociedade que trata os homens como provedores e as mulheres como bonecas de carne, a vida se torna insuportável.

Como quem educa os filhos são as mulheres, assino com o Dr. Ângelo Gaiarsa que dizia que era necessário uma sociedade baseada em uma “Nova mãe, novo mundo”.

Queres um mundo melhor, mais justo e igualitário?

Eduque seus filhos para serem homens e não provedores e reprodutores; eduque suas filhas para enxergarem-se como seres humanos e não como bonecas de carne para o consumo masculino. Lutem por isso e o mundo lhes agradecerá!

NAMASTÊ

Cláudio Nunes Horácio








terça-feira, 20 de junho de 2017

O DIA DO DEPRESSIVO


Abriu os olhos e percebeu que precisava reunir todas as suas forças para se levantar e enfrentar o cotidiano que, para a maioria, é normal, mas que para ele era um esforço sobre-humano.

As questões do dia-a-dia, tão corriqueiras para a maioria, como: levantar-se, arrumar-se e dirigir-se ao trabalho ganhara um peso jamais experimentado, exceto, pelos deprimidos.

Sabia que teria que chegar ao seu local de trabalho e se relacionar com os colegas, sorrir, ser amigável e simpático. Acontece que nada lhe dava sabor à vida, tudo era nublado; não havia cores que pudessem acalentar os seus sentimentos confusos.

Seu corpo funcionava igualzinho a um carro de gasolina que fora abastecido com diesel, sua mente é o motor que se recusa a normalizar devido à falta da substância correta para o seu funcionamento padrão, correto e normal.

Tudo o que encanta e agrada a maioria das pessoas já lhe são desprezíveis, insossas e até insanas. Você sabe que o problema está em você; sabe que precisa resistir e lutar para que haja uma normalização de humores em você, só que não encontra o caminho, os equipamentos e aparelhos que poderão lhe ajudar a se normalizar.

Se alguém lhe diz que no dia seguinte você terá que fazer uma coisa, sua ansiedade subirá de nível, se lhe disserem que terá que fazer 2 coisas, ela dobrará e se tiver que fazer 3 coisas, nem dormirá mais.
Um simples encontro social como um aniversário, um casamento ou um almoço adquire o poder de assombrar seu dia e lhe causar calafrios.

Relacionar-se, então, é uma coisa de outro mundo, por isso a busca pelo isolamento, pois família, trabalho e escola passam a ser um grande problema justamente porque teremos que usar máscaras sociais para nos parecer normais, sendo que não estamos normais.

Fora o que já sofremos com os sintomas, ainda temos que aguentar a ignorância das pessoas que palpitam e julgam sem nada saber sobre essa doença, já que todo brasileiro é metido a ser médico, teólogo, técnico de futebol, comentador político...

Felizmente as crises diminuem e os sintomas ora desaparecem, ora reaparecem mais brandos, por isso poderemos viver normalmente, porém, sabendo que não somos pessoas normais, que temos um distúrbio que dá para ser administrado. Mas essa administração não nos transformará em gente normal, apenas nos ajudará a nos adaptarmos à sociedade.

Cláudio






segunda-feira, 19 de junho de 2017

Sínodo do cadáver: Ódio além da vida


A Igreja Católica passava por uma época turbulenta no fim do século 9. Enquanto no século 20 a Roma teve oito papas, no século 9 contavam-se às dezenas os que se sucederam no cargo – a maioria na casa dos 30 anos. “Em alguns casos, os papas terminavam assassinados, eram depostos e fugiam”, diz a historiadora Valéria Fernandes da Silva, especialista em história da Igreja. As poderosas famílias de Roma tinham influência na Santa Sé, o que levou algumas pessoas perturbadas a se sentar no trono de Pedro. Mas, em termos de bizarrice, nenhum superou Estevão.
No começo de 897, o papa Estevão VI (alguns o citam como Estevão VII) tomou uma atitude excêntrica: ordenou a exumação de seu antecessor Formoso, morto nove meses antes. No evento conhecido como sínodo cadavérico, o corpo do papa-defunto (isso mesmo, o corpo), vestido com insígnias e ornamentos, foi julgado e condenado por excesso de ambição. Estevão excomungou Formoso, que foi despido de suas vestes papais e teve amputados os dedos da mão direita, usados para abençoar os fiéis. Seu corpo putrefato foi atirado no rio Tibre, pena comum a criminosos.
Depois do ocorrido, a popularidade de Estevão foi para o fundo do Tibre junto com o corpo de Formoso. Ele foi deposto numa rebelião e estrangulado até a morte, ainda em 897. No ano seguinte, o novo papa João IX anulou o sínodo cadavérico no Concílio de Ravena e ordenou o retorno do corpo de Formoso, resgatado do Tibre, à tumba, na Basílica de São Pedro. “Foi talvez o período mais conturbado da história do papado”, diz a historiadora Valéria Silva. “Coisas assim são um sintoma da instabilidade da Igreja, da crise de autoridade e da ingerência das grandes famílias.” Estevão foi considerado louco.
O caso teve uma repercussão tão assustadora, que a partir de 880, a Igreja trocou de papa como time brasileiro de futebol muda de técnico. Segundo o Dicionário de Papas, de Michael Walsh, foram 38 eleitos nos 150 anos seguintes, média de um a cada quatro anos. Como se fosse Copa do Mundo. Além disso surgiu a denominação "Antipapa", que apesar de parecer ter saído de uma história de super-heróis, serve para definir aqueles que se elegeram papas em oposição aos que foram escolhidos pelo poder central, em Roma. Entre os séculos 3 e 15, houve cerca de 30 antipapas. Reza a lenda que o desequilibrado Estevão, durante o julgamento, perguntou ao cadáver de Formoso: “Por que desrespeitaste esta diocese?”, ao que um diácono, escondido, respondeu: “Porque eu sou mau!”. 

quinta-feira, 25 de maio de 2017

NÃO SOU EVANGÉLICO


Deixei de ser evangélico porque não acredito mais na revelação das Escrituras conforme a Teologia Reformada, Tomista ou Arminiana;

Deixei de ser evangélico porque não reconheço o Evangelho nesse movimento;

Porque os piores seres humanos que conheci fazem parte dessa religião, porque, como esses, eu também me tornei um idiota quando pertencia a essa religião. Era julgador, manipulador, orgulhoso, metido a besta, prepotente, petulante, dono da verdade... como 99% dos crentes são até hoje.

Saí desse circo de horrores porque nada lá é sério: a mensagem é falsa, a prática é deplorável, o comércio é escandaloso, a manipulação é diabólica e o ensino não tem nada a ver com Jesus Cristo.

Hoje não pertenço a nenhuma religião, não creio em nada que esteja pronto; tenho a minha própria espiritualidade e isso independe de dogmas, Escrituras, doutrinas e clero.

Sou livre para crer, pensar e viver de forma absolutamente livre, leve e solta e mudar de opinião a cada instante que desejar.

Tenho minha própria teologia, meus próprios dogmas, minha própria fé personalizada só pra mim.

Essa é a minha verdade e não desejo convencer ninguém dela, não estou atrás de seguidores e nem sou o porta voz da verdade divina, apenas vivo e creio conforme a vida vai me mostrando.

Procure e creia conforme a sua verdade, essa é a melhor opção.

Namastê!


Cláudio

sábado, 6 de maio de 2017

ENSAIOS E A BÊNÇÃO DO DIVÓRCIO




             Há 52 anos vejo a recorrência dos ensaios do divórcio.

          O casal já não se suporta e se mantém juntos num vai e vem de esperanças frustradas pela realidade que preferem ignorar. São idas e vindas, recomeços e mais recomeços na tentativa frustrada do milagre que jamais acontece.

          Pessoas são universos paralelos únicos, se diferem pela educação e cultura, pela tradição familiar, pela mentalidade e pelo adestramento social no qual foram inseridos ao nascer e crescer.

          A separação se dá primeiramente por dentro, na mente, nos solilóquios; só o tempo e os ensaios poderão levá-la ao coração e a consumação na vida.

          Ninguém se separa por estar feliz numa relação, nos separamos por incompatibilidades, por trilharmos caminhos diferentes, por nos cansarmos de nos adaptar ao outro e à sua vontade ególatra. Por não querermos mudar, por nos gostar como somos.

          Infelizmente só o amor não basta para que um casal fique juntos para sempre, incompatibilidades existem mesmo havendo amor, tesão e paixão.

          Para a permanência do casamento é fundamental que haja, além do amor, vontade mútua, cooperação, cumplicidade, objetivos em comum, mesma visão de mundo, foco nos mesmos alvos, crescimentos individuais proporcionais para que um não evolua muito mais rápido que o outro.

          É o caminhar juntos, o comungar dos mesmos ideais, o partilhar dos mesmos focos almejando os mesmos objetivos que sempre têm que ser em comum, jamais individuais.

          Casar é estabelecer uma moradia em comum entre um homem e uma mulher, é estar sob o mesmo teto buscando objetivos em comum, é deixar de ser singular e viver o composto, abandonar o individual para viver o coletivo.

          Esse conjunto de coisas é essencial para que o casamento prevaleça, do contrário haverá a separação, sempre!

          E sempre que há um divórcio, imediatamente após as dores de o rompimento passar, coisa de uns 6 meses, haverá a ressaca da tentativa frustrada da manutenção de um casamento moribundo que colocávamos para dormir de conchinha conosco.

          A partir daí apenas nos arrependeremos de não termos nos divorciado bem antes, pois nada há mais deprimente do que tentar manter vivo um casamento que já morreu.

          A você que vive esse ensaio, bora acordar (a-cor-dar), dar cor a vida!

Cláudio Nunes Horácio