quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

CASACOS DE PELE OU CASACOS DE TORTURAS E MORTE?

Para você que não sabe como são feitos os casacos de pele, deixo o vídeo abaixo como pedagogia, porém, se não entender o desenho, basta assistir ao chocante e terrível vídeo abaixo do vídeo do desenho.
Cláudio



terça-feira, 21 de janeiro de 2014

VERSÕES DE NÓS MESMOS

Em nossa história pessoal há diversas versões de nós mesmos, pois conforme o tempo passa e conforme adquirimos experiências, vamos nos transformando, amadurecendo, entristecendo, chorando, sorrindo, nos alegrando, exultando e regozijando envolto a loucura da vida e das relações com os nossos semelhantes.
Interagimos o tempo todo na família, no trabalho, nos relacionamentos, em todas as relações humanas de todos os níveis. Isso tudo nos influencia naquilo que pensamos, que sentimos e que cremos e, a partir das experiências vividas vamos sendo transformados constante e ininterruptamente.

Às vezes, incorporamos a paz, a graça e a misericórdia; noutras, a guerra, a revolta e a rebeldia; tudo numa única pessoa e numa única vida. Acontece que as pessoas que nos encontram no caminho, irão desfrutar daquilo que temos para oferecer no período que estivermos atravessando. Como as fases são diversas e como atravessamos tempestades, tormentas e momentos de êxtases e alegrias, não somos constantes e estáticos, mas mutáveis e ambulantes, por isso temos diversas versões de nós mesmos: umas melhores, outras piores; algumas incrivelmente boas e outras extremamente ruins.

Observe e verá que em cada relacionamento que você teve e ainda terá, sua nova parceira (o) viverá com uma versão diferente de você mesmo. Cada uma das minhas ex-mulheres ou namoradas conheceram apenas uma única versão dos inúmeros Cláudios que fui, que sou e que serei. Se elas conversarem entre si, acharão que trata-se de pessoas diversas e diferentes, mas não de mim, pois fui exclusivo com cada uma delas. Assim, com uma fui machista e carrasco; com outra, frouxo; com outra, tarado, prestativo, amoroso, atencioso; depois sossegado, centrado, compreensivo...

Assim, para algumas fui péssimo, para outras, bom, ruim, maravilhoso... enfim, um Universo singular na singularidade de cada relacionamento, de cada fase e de cada etapa dessa caminhada evolucionária.
Até hoje procuro me relacionar com pessoas que extraem de mim a melhor versão de mim mesmo que posso ser. Sugiro que você faça o mesmo!

Cláudio




segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Engenheiro pode ter descoberto o segredo por trás da construção das pirâmides egípcias

Uma nova e revolucionária teoria sobre a construção das pirâmides do Egito assegura que, ao contrário do que pensam os arqueólogos, as pirâmides foram construídas sobre uma base pequena, a qual posteriormente foi acrescentada uma série de blocos gigantes pela parte de fora. Ou seja, antigos egípcios criaram pirâmides por meio da acumulação de entulhos, que foram aumentando de dentro para fora e depois foram anexados tijolos de revestimento, o que deu o aspecto final dos monumentos. 

A nova teoria foi anunciada por Peter James, um engenheiro galês da empresa Cintec Internacional, que há 20 anos trabalha na manutenção das pirâmides do Egito. Depois de participar de inúmeras obras de restauração e escoramento, o especialista chegou à conclusão de que as teorias aceitas até hoje sobre o possível método utilizado na elaboração das pirâmides não seriam verdadeiras. Atualmente, acredita-se que as pirâmides foram construídas com blocos gigantes, colocados a partir de enormes rampas de acesso. 

 Segundo ele, para fazer uma pirâmide desta forma, com 2 milhões de blocos, os antigos egípcios teriam que ter colocado uma pedra gigantesca a cada três minutos, o que é impossível. Além disso, haveria a necessidade do uso de rampas de 400 metros de altura, e não existe vestígio algum da existência destes utensílios para a construção das pirâmides. Peter James afirma que 90% das pedras utilizadas para a construção eram compostas por escombros amontoados e, depois, cobertos por blocos de pedras gigantes.    O certo é que sua nova teoria é tão inovadora que o autor espera uma guerra com os arqueólogos, de acordo com a citação do site britânico Daily Mirror Online.   Assista ao vídeo que demonstra como as pirâmides foram construídas.





sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

FRATURAS DA ALMA E HEMATOMAS DO ESPÍRITO

Quem já teve uma raiz do dente exposta sabe o quanto dói, bem como aqueles que tiveram cólicas renais ou inflamação dos tendões.

Agora, imagine só como é ter a raiz da vida exposta; como são as cólicas da alma e a inflamação do tendão da vida latejando e pulsando sem que haja um analgésico ou uma pomada para passar nas chagas da existência.
Como lidar com as pisaduras do coração, com as fraturas emocionais e os partos existenciais feitos com fórceps e sem anestesia?

O fato é que não existe uma fórmula, visto que cada um de nós no decorrer da sua vida irá aprendendo qual é o seu jeito de lidar com cada uma das suas dores emocionais.

Dores que, aliás, é para todos nós, pois todos sofremos ou sofreremos cada uma delas para que aprendamos a superá-las e a sobreviver apesar delas. Viver dói e esse é um fato que todos descobrirão mais cedo ou mais tarde. E não pense que poderá evitar as dores e os sofrimentos daqueles que você ama, não poderá!

Somos demasiadamente humanos na forma de pensar, pois para o Criador, seja Ele uma pessoa, uma energia ou algo indefinível, viver em meio ao caos e o absurdo e vivenciarmos as dores múltiplas, sombrias e apavorantes é algo desejável e absolutamente normal. Fato esse comprovado pela forma que todos passamos por essas dores, pois essa é a forma e a maneira pela qual o Criador decidiu que aprenderíamos e nos desenvolveríamos nessa dimensão da vida.

Nossa visão das coisas, da vida, do bem e do mal são infinitamente diferentes do olhar dAquele que nos criou. Fato esse facilmente percebido pela observação da natureza: quem criaria uma cadeia alimentar se fosse humano?

Em nosso pensamento humanista gostaríamos que houvesse harmonia, que ninguém precisasse matar para comer, mas que todos fôssemos saciados de maneira natural, sem a necessidade da morte de nenhuma criatura na natureza. Só que não é assim que acontece, não foi assim que Deus criou a vida e as engrenagens que fazem com que a vida permaneça. Nessa dimensão da vida está incluída a morte dos mais frágeis para a sobrevivência dos mais fortes. Assim, há o homem no topo da pirâmide da cadeia alimentar, sendo o predador mais eficaz na busca da sobrevivência.

Sorte nossa e azar dos mais frágeis, é a vida, é a natureza, é assim que tem que ser, já que esse é o mecanismo de manutenção da vida e, não fomos nós quem o inventamos ou criamos.

Ao menos em nossa visão limitada dos fatos, são essas as conclusões iniciais a que chegamos: que a natureza é perversa, é maldosa e injusta.

Tá! Mas quem criou a natureza? Deus! Então temos um Deus maldoso e injusto?

Não! O fato é que não entendemos os motivos que O levaram a fazer as coisas como são, portanto, somos ignorantes, ou seja, não sabemos.

Aparentemente tudo e todas as coisas, fatos e pessoas são postos aqui na Terra para cursar a Universidade da vida terrena e extrair dela todo o aprendizado necessário para uma próxima etapa, num mundo melhor e mais justo.

Mas seria isso um fato? Não sei! Apenas creio, tenho fé que seja isso, pois é o que me parece mais lógico com as limitações que possuo.

Então, se estamos todos no mesmo habitat e, se nesse habitat, há dores emocionais indizíveis, só pode ser porque essas dores fazem parte do aprendizado que necessitamos para que haja a superação e o amadurecimento necessários para a próxima etapa no caminho da nossa evolução pessoal.

Daí, podemos concluir que nenhuma dor, nenhuma perda ou amputação emocional será definitiva, mas apenas mais um estágio na escala dos mundos, das dimensões, das vidas em planos superiores que ainda viveremos.

E o fato de sabermos isso não cura as nossas dores, não nos imuniza dos males da vida, mas nos conforta e consola nos dando esperança, pois o fato é que tudo isso irá passar, pois nós somos eternos e nossas dores são temporárias.

PENSE NISSO!

Cláudio Nunes Horácio

LI, MAS NÃO "GOSTI"


quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

MUDE!

Vivemos na época da efemeridade, onde o amor é volátil; as declarações são falsas, as promessas são pérfidas e as pessoas têm almas artificiais. 

Perdemos o coração, a integridade, o zelo pela verdade e pela palavra empenhada e, muitos, perderam a esperança na humanidade. Se você faz parte desses desesperançados, sugiro que comece a transformação do mundo a partir do seu Universo interior: Transforme-se de dentro para fora que o mundo sofrerá a metamorfose que precisa! Se todos nós fizermos isso, em pouquíssimo tempo o mundo será um lindo lugar para viver. 

Em que mundo você prefere estar? 

Cláudio

Poema De Benjamin Constant



“Todo sentimento precisa de um passado para existir, o amor, não. Ele cria como por encanto um passado que nos cerca; ele nos dá a consciência de termos vivido anos a fio com alguém que a pouco era quase um estranho; ele supre a falta de lembranças por uma espécie de mágica.”

"La vie de Adèle” (Azul é a cor mais quente - em português)


O que vi no extraordinário filme que conquistou a Palma de Ouro em Cannes, “La vie de Adèle” (Azul é a cor mais quente - em português), foi uma pessoa insegura, inexperiente e infantil em busca da sua identidade.
Em meio às experiências vividas, ela vai se descobrindo, agindo com inconsequência e inconsciência, sofrendo e aprendendo.

Ainda não tem segurança, cede diante da pressão externa, não assume seus gostos, abre mão de suas posições e experimenta tudo o que nunca experimentara.

Relaciona-se sexualmente com garotos e com uma garota; apaixona-se perdidamente por ela e abandona o seu mundo, muda de universo e passa a viver noutra atmosfera, num habitat que não é o dela, mas de sua amada, o qual estranha e não gosta, porém por amor, permanece nele.

Desdobra-se para causar boa impressão e ser aceita pelo novo grupo, age sem espontaneidade em meio as suas estranhezas em relação às atitudes do grupo, mesmo assim, os imita e tenta ser parte desse habitat que não é o seu.

Sua companheira, que não teve que mudar absolutamente nada em sua vida para adaptar-se a ela, começa a abandoná-la sob o mesmo teto. Mostra-se indiferente, ausente de corpo presente, a rejeita às vezes, o que a faz sentir-se absolutamente sozinha e carente.

Aos poucos, a alegria de Adèle torna-se em solidão e desespero, o que a faz ter um romance esporádico com um colega de trabalho.

Sua companheira descobre, a ofende, xinga e a expulsa de casa e da sua vida.
Depois de muito tempo se encontram, conversam e se vão sem reatar a relação.

O que vi e senti foi um tremendo egoísmo em Emma e uma tremenda insegurança em Adèle. Enquanto Emma já amadureceu e está segura do que quer e de quem é, Adèle está engatinhando rumo à descoberta de quem ela é, por isso, cede, cede, cede, camufla-se e muda sua vida para adaptar-se a Emma. Em minha visão o amor de Adèle por Emma é perceptível e claro, o de Emma por Adèle é inexistente.

As cenas de sexo lésbico são impactantes por serem explícitas, porém, com o conteúdo da trama, ao meu ver, foram apenas artifícios para chamar a atenção para o filme, elas realmente não tiveram a menor importância diante do drama de Adèle.

Cláudio


A morte da hora da morte

Não importa se por doença, acidente ou violência. Sua vida acaba quando o coração para. O sistema nervoso deixa então de receber oxigênio do sangue e entra em colapso. Após 5 minutos, os danos ao cérebro são considerados irreversíveis. Pouco depois você é declarado morto. Mas não devia ser assim. É o que dizem agora médicos e pesquisadores entusiastas de novas técnicas que têm trazido de volta à vida pacientes que ultrapassaram — e muito — o momento em que a medicina tradicionalmente considera alguém morto.
O entendimento de que após 5 minutos começa não valer mais a pena insistir na reanimação tem base nos chamados Critérios de Harvard, uma reunião de protocolos de 1968 que ainda é a principal referência para determinar a morte. Mas como seria possível explicar, com base nessa ideia, o caso do jogador de futebol Fabrice Muamba? Na tarde de 17 de março de 2012, o africano de 23 anos desmaiou no gramado do estádio White Hart Lane, em Londres, diante de 35 mil pessoas. Levado às pressas para o London Chest Hospital, seu coração ficou parado por 1 hora e 18 minutos. Ele sobreviveu, e sem nenhuma sequela. Milagre?
Nada disso. “A ciência trouxe Muamba de volta. Por todos os critérios médicos tradicionais, ele estava morto e agora está vivo”, afirma o pesquisador britânico Sam Parnia. Chefe da UTI do hospital da Universidade Stony Brook, em Nova York, Parnia acaba de lançar o livro Erasing Death (Apagando a morte, ainda sem tradução).
Muamba não é o único exemplo. Em junho de 2011, uma japonesa de 30 anos foi encontrada num bosque, morta por overdose de medicamentos — a temperatura do corpo, 20 oC, indicava que estava há muito tempo sem batimentos. Depois de mais seis horas dentro do hospital, ela voltou a respirar. “Ela esteve morta por pelo menos dez horas. Mas recebeu o tratamento adequado e hoje está bem”, afirma Parnia, que entrevistou os médicos japoneses após eles terem publicado o caso num periódico científico. De acordo com o relato deles, mesmo tendo passado quase metade de um dia morta, a mulher se recuperou e até teve um bebê no ano passado.
Em agosto de 2009, o motorista americano Joe Tiralosi, de 57 anos, deu entrada no Hospital Presbiteriano de Nova York. Tinha sofrido um enfarte. Foi levado para uma mesa de cirurgia e, depois de 20 minutos de massagem cardíaca, com respiração artificial e injeções de adrenalina, nada de pulso. Tiralosi também poderia ter sido declarado morto, mas os médicos continuaram tentando por 40 minutos. Seu coração voltou a bater — só que, enquanto os médicos desentupiam as veias que haviam provocado o enfarte, morreu uma segunda vez, agora por 15 minutos. Foi ressuscitado novamente. Três semanas depois, estava de volta para sua família no Brooklin com saúde física e mental impecável. “Há dez anos, continuar tentando depois de tanto tempo seria considerado irresponsável. Acreditava-se que o paciente, se voltasse a respirar, viveria em estado vegetativo”, diz o médico americano Robert Neumar, pesquisador da Universidade de Michigan. “Hoje, sabemos que o cérebro é mais resistente do que isso.”
MORTO?: O jogador de futebol Fabrice Muamba teve parada cardíaca por mais de uma hora, e poderia ter sido declarado morto. Mesmo assim, médicos ingleses conseguiram ressuscitá-lo usando as novas técnicas (Foto: Kevin Quigley/Daily Mail/Solo Syndication)

VIVER DE FRIO

O motorista, a mulher e o atleta só voltaram a viver porque os hospitais que os receberam usaram procedimentos de ponta, adotados paulatinamente nos últimos dez anos. E também porque tiveram a sorte de chegar em condições ideais para eles serem aplicados. Esses procedimentos acrescentam duas novas técnicas ao protocolo de emergência-padrão (aquele com o desfibrilador): manter a circulação de sangue no organismo por meio de um aparelho de oxigenação e, principalmente, resfriar o corpo (veja no fim da reportagem como isso funciona).
Quando usamos a geladeira para preservar carne é porque a temperatura baixa diminui a velocidade das reações químicas — logo, deixa mais lenta a decomposição celular. Para cada grau que o corpo é esfriado, a atividade metabólica é reduzida em 6%. “Se as 1.514 pessoas que morreram congeladas depois do acidente do Titanic dessem entrada em meu hospital hoje, boa parte sobreviveria”, diz Neumar. “Os corpos foram encontrados poucas horas depois e com a temperatura reduzida pelo oceano. Seus neurônios ainda podiam voltar.” Foi o que aconteceu com a japonesa ressuscitada, encontrada num ambiente gelado, o que provavelmente ajudou na preservação de seu corpo. Reduzir a temperatura funciona porque a morte, dizem os pesquisadores, é diferente da interpretação que a medicina dava a ela há dez anos — e que ainda é presente em centros médicos. Morrer não é um momento definitivo, e não se concretiza em poucos minutos sem batimento cardíaco. A morte agora é encarada como um processo complexo, mas, por muitos minutos, ou mesmo horas, reversível.
Quando as células do corpo começam a ficar sem sangue, as mitocôndrias, que usam oxigênio para gerar energia, ficam sem matéria-prima. Com isso, as células começam a produzir toxinas, como o ácido lático — a mesma substância responsável pela cãibra. O organismo recorre, então, a um plano B: tenta quebrar o ácido lático para gerar energia e ganhar algum tempo, à espera da volta da circulação. “É como se ligássemos um gerador pequeno de combustível inadequado, enquanto torcemos para que a eletricidade seja restabelecida logo”, afirma Scott Henderson, professor de ética médica da Luther Rice University. Se o gerador fica sem combustível, as células começam a devorar a si mesmas. “Cada tecido tem seu próprio tempo antes de morrer. E o dos neurônios, decisivos para que o organismo volte a funcionar, é bem mais longo do que pensávamos. Eles podem ser reativados horas depois que o cérebro é considerado morto”, afirma Henderson.
O corpo mais frio não só reduz a intensidade da degradação celular durante a parada cardíaca, mas também depois do retorno. É que, com o acúmulo de ácido lático no corpo, o oxigênio se torna nocivo. “Quando o organismo passa a funcionar com níveis muito baixos de oxigênio, uma volta rápida demais pode matar”, afirma Parnia. “Nas últimas décadas, muitas pessoas ressuscitadas morreram de vez, ou sofreram danos cerebrais porque foram envenenadas por oxigênio.”
Aí entra a segunda das técnicas inovadoras: o ECMO, um equipamento que filtra o sangue, oxigena e o bombeia de volta ao corpo. Funciona como um coração e um pulmão artificiais. Com o sangue circulando de novo e suprindo a carência de oxigênio, parte da degradação é revertida, dando tempo para que os médicos encontrem e resolvam a causa da parada. O ECMO também controla o retorno gradual da oxigenação do sangue, evitando o “envenenamento” por oxigênio.
O RESSUSCITADOR: Defensor mais conhecido das novas técnicas, o médico Sam Parnia fez com que as taxas de ressuscitação com sucesso em seu hospital em Nova York chegassem a 33% enquanto a média é 16% nos países desenvolvidos (Foto: Dan Callister/Alamy)

REAVIVANDO A DISCUSSÃO

Tanto o ECMO quanto o resfriamento são usados em conjunto com procedimentos tradicionais de emergência, como a compressão do peito, desfibriladores e respiração artificial. A respiração boca a boca, popular até o começo da década passada, não é mais recomendável: sabe-se agora que, com exceção de casos de afogamento, o organismo em colapso ainda tem reservas de oxigênio por até 10 minutos.
Desde o estabelecimento dos Critérios de Harvard, em 1968, a compressão e a respiração forçada se aplicam a todo organismo sem batimento cardíaco, sem respiração, sem movimentos do corpo e sem atividade cerebral — é assim que se define a morte em termos médicos. De todos estes pré-requisitos, a morte cerebral é decisiva. “Nos últimos anos, descobrimos que a morte cerebral, da forma como a conhecemos, é uma ficção”, diz Henderson. Geralmente, ela é medida por um eletroencefalograma, que não capta todas as funções cerebrais.
Além disso, sabemos agora, um neurônio inativo pode voltar a funcionar.  É possível, por exemplo, multiplicar neurônios de corpos que ficaram mais de quatro horas sem atividade cerebral. Foi o que fizeram os pesquisadores do Instituto Salk, da Califórnia. Em 2001, eles conseguiram cultivar novos neurônios em laboratório, usando células do cérebro de recém-falecidos — isso mostra, dizem eles, que os neurônios ainda seriam viáveis.
As novas técnicas reavivaram o interesse pela ressuscitação, área marcada por poucos e lentos avanços (veja-os na linha do tempo). Apenas a partir dos anos 1960 é que a combinação de massagem cardíaca e respiradores com tubos na traqueia começou a se disseminar. “A ressuscitação cardiopulmonar foi uma revolução. Mas, desde então, a medicina parou”, diz Vinay Nadkarni, professor da Universidade da Pensilvânia.
Os índices de ressuscitação bem-sucedida nos países desenvolvidos, em torno de 16%, não evoluíram nos últimos 25 anos. No hospital de Sam Parnia, em compensação, estão em 33% — mesmo índice de sucesso do Instituto do Coração (InCor), em São Paulo, que também usa as técnicas. Desde agosto deste ano, aliás, o resfriamento do corpo é recomendado para todos os hospitais brasileiros pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. A instituição agora pede que os pacientes de colapso cardíaco sejam mantidos entre 32 oC e 34 oC por 12 a 24 horas. De acordo com a entidade, um paciente ressuscitado que é submetido ao resfriamento corporal tem 33% mais chances de se recuperar sem sequelas.
As medidas foram adotadas no InCor há três anos. “A técnica é revolucionária e nos obriga a repensar nossa definição para a morte”, afirma o cardiologista Sergio Timerman, chefe do laboratório de pesquisa e treinamento em emergência do hospital, e responsável pelo primeiro treinamento das novas técnicas na América Latina — realizado em agosto para 30 profissionais da área de saúde. “Os resultados são espantosos. A oxigenação do organismo aumenta em 60% as chances de sobrevida.” As práticas em São Paulo já ajudaram a salvar, entre outras pessoas, Airton Inamime, que sofreu uma parada cardíaca em março de 2012 no Metrô e foi submetido ao resfriamento e ao ECMO. Depois de 12 minutos, voltou à vida sem sequelas.
A adoção das técnicas ainda é gradual, embora sejam indicadas desde 2003 pelo Comitê Internacional de Ressuscitação (Ilcor, na sigla em inglês). Em Nova York, a partir de 2008, a prefeitura obrigou todos os hospitais a manter equipamentos de resfriamento. A medida está sendo adotada principalmente em hospitais dos EUA, Inglaterra, Alemanha, Coreia do Sul e Japão. De acordo com as estimativas de Parnia, se fosse adotada em larga escala nos EUA, poderia salvar 40 mil vidas por ano. “Sozinho, o resfriamento é revolucionário. Permite adiar a morte e ganhar tempo para desentupir as veias que provocaram um enfarte”, diz Nadkarni, que também é membro do Ilcor.
O uso de respiradores e desfibriladores demorou mais de uma década para se disseminar. O mesmo está acontecendo agora com as novas técnicas de ressuscitação, dizem seus defensores. “Os profissionais de saúde já conhecem as novas técnicas, mas ainda não sabem como colocá-las em prática”, afirma Timerman.
Em outubro de 2012, um estudo publicado na renomada revista científica The Lancet reforçou a importância da nova abordagem perante a morte. O levantamento concluiu que gastar mais tempo nos esforços de ressuscitação pode aumentar a chance de sobrevivência e de alta para pacientes com parada cardíaca. Ao todo, foram pesquisados 64.339 pacientes em 435 hospitais nos Estados Unidos. Os hospitais cuja média de tempo de ressuscitação era mais alta (25 minutos) tiveram 12% mais chances de que seus pacientes voltassem à vida em relação aos hospitais com tempo médio mais baixo (16 minutos).
DILEMA ÉTICO
Uma das consequências destas novas medidas é que dão tempo aos médicos para que curem os danos que provocaram o ataque cardíaco. “Em geral, ninguém mais deveria morrer de enfarte”, diz Sam Parnia. Em situações de morte que não o enfarte, a ressuscitação apenas adiaria o inevitável por algumas horas, ou dias. No entanto, ao abrir possibilidades para sobreviver a paradas súbitas no hospital, os métodos alimentam o dilema ético sobre até quando uma pessoa deve ser mantida viva. Se um paciente de câncer em metástase fosse ressuscitado, por exemplo, seria apenas para aguardar um novo colapso de seu organismo. O mesmo vale para a vítima de um acidente automotivo cujos órgãos sofreram danos que não podem ser recuperados. Nestes casos, a esperança pode estar na criogenia — mas no futuro. Por enquanto, a técnica consegue apenas congelar as pessoas, mas não descongelar.
Até lá, a ressuscitação tende a se tornar uma ciência cada vez mais complexa — Robert Neumar está pesquisando formas de resfriar o corpo no nível celular, para ganhar ainda mais tempo de recuperar pacientes. E pesquisadores da Universidade da Pensilvânia estão estudando os processos fisiológicos dos animais que entram em hibernação, para reproduzir em pacientes humanos. “Daqui a 20 anos, seremos capazes de trazer de volta à vida pessoas que passaram mais de 24 horas sem atividade cardíaca ou cerebral”, afirma Parnia. “Nossos netos não vão ver a morte da mesma forma que nós.”
história da ressuscitação (Foto: Evandro Bertol, Fábio Dias e Tiago Mali)



















A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM
Como duas novas técnicas conseguem salvar a vida de pessoas horas após ficarem sem batimentos nem atividade cerebral


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a volta dos que não foram (Foto: Evandro Bertol, Fábio Dias e Tiago Mali)








A HORA DA MORTE
Cada parte do corpo demora um tempo diferente para entrar em colapso. Veja quanto podem durar após o coração parar de bater:
a hora da morte (Foto: Editora Globo)
FONTE