terça-feira, 24 de junho de 2014

FILOSOFIAS DE ALMANAQUE


É possível reCriar a realidade?


POR FLAVIA MELISSA


P: “Passado fica no passado. Somos nós que criamos nossa realidade, somos responsáveis por nossas ações, ok, mas e se, ao aceitarmos nossos “erros”, percebermos que deixamos passar uma boa oportunidade na vida, aliás “AAAA” oportunidade,  e quisermos  refazer a nossa realidade, por exemplo, tentar recuperar aquela boa oportunidade que passou. Podemos fazer? Mas como? Tentar ReCriar a oportunidade para assim aproveitá-la? Até que ponto podemos tentar Recriar aquela realidade? Ou simplesmente “engolir o choro” e o que passou, PASSOU?”
R: Wow, muita coisa o que destrinchar aqui na sua pergunta. Mas, antes de qualquer coisa, quero que preste atenção na letra desta música, “Como uma onda no Mar”, de Lulu Santos.
“Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia. Tudo passa, tudo sempre passará. A vida vem em ondas como um mar, num indo e vindo infinito… Tudo o que se vê não é igual ao que a gente viu há um segundo, tudo muda o tempo todo no mundo. Não adianta fugir nem mentir pra si mesmo agora. Há tanta vida lá fora e, aqui dentro, sempre: como uma onda no mar”.
Esta música, por si só, já seria a resposta da sua pergunta. Você fala sobre deixar passar “AAA” oportunidade, mas veja bem, esta percepção é completamente ilusória, porque ela é apenas “AAA” oportunidade HOJE, tendo a onda vindo e ido e você, de onde está agora, tendo uma visão diferente sobre o que aconteceu no passado. Quando aconteceu, “AAA” oportunidade não era “AAA” oportunidade. Era uma oportunidade ou nem isso: era apenas alguma coisa. Você deixou passar esta oportunidade porque, na época, foi o melhor que conseguiu fazer, então não existiu “erro” – nem entre aspas e nem sem aspas. Foi o mais acertado de acordo com o grau de consciência e com as ferramentas das quais você dispunha no momento. “Tudo o que se vê não é igual ao que a gente viu há um segundo”.
E “nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”, ou seja: não existe REfazer ou REcriar, porque a situação não é a mesma para ser “re” qualquer coisa. “AAA” oportunidade não é uma oportunidade, a situação mudou e você mudou – você só pensa como pensa hoje porque viveu o que viveu um dia e porque fez as escolhas que fez. Pensar em REfazer ou REcriar são apenas formas de negar o que existe hoje e voltar no tempo para uma situação em que a sua mente te diz que, se você tivesse agido diferente, sua vida inteira estaria nos trilhos em vez de estar desconfortável como está agora.
“Não adianta fugir e nem mentir pra si mesmo”: a vida acontece agora. Então, no AGORA, você pode sim buscar todas as formas possíveis de aproveitar o que quer que seja – coisas novas ou coisas que, em outro momento da sua vida, não fizeram sentido. Você pode fazer o que quiser – esta é a beleza do conceito de livre-arbítrio, absolutamente nada te impede. Mas esteja consciente de que o que quer que seja que você faça, estará fazendo no HOJE. Você não está consertando supostos erros ou percepções de erros do seu passado, você não estará correndo atrás do tempo perdido, você não estará tentando reescrever a sua história, porque a sua e a minha história são escritas a cada dia. Pode parecer que a diferença aqui está apenas em uma palavra, escrever ao invés de reescrever, mas a questão é muito mais profunda do que isso, e passa pela aceitação plena, amorosa e pacífica de tudo o que você viveu um dia. Trata-se de respeito pela pessoa que você foi no passado e que julgou, naquele momento, que decisão que estava tomando era a melhor possível. Não existe esta história de que “se eu soubesse do que sei hoje teria agido diferente”, porque você não saberia o que sabe hoje se NÃO TIVESSE AGIDO COMO AGIU. Me parece que uma boa dose de compaixão por si mesma e pelas escolhas que você fez na vida, sempre tentando acertar, está sendo super necessária neste momento para você desvendar o quebra-cabeças…
A vibração energética de escrever uma história ou reescrever uma história é absolutamente diferente. Quando você se destina e se propõe a caminhar na direção do que quer viver HOJE, está sintonizada com o agora, apropriada do seu passado e caminhando na direção do seu futuro. Quando você se destina a reescrever o que já foi escrito um dia e que precisa ser editado porque não é bom o suficiente, a vibração é de total não aceitação – de si mesma, das decisões que você tomou e das consequências que suas escolhas tiveram. Na vida não escrevemos à lápis, e sim com uma caneta bem grossa – e não existe corretivo. Você não pode mudar o que já escreveu mas pode, a qualquer momento, reescrever algo novo. Mas para caminhar na direção do seu futuro é necessário que você fixe os seus dois pés no PRESENTE, este é o ponto de partida. E não existe estar no presente sem se apropriar do seu passado.
A vida, ah!, a vida… Vem em ondas, como um mar, num vai e vem infinito. Flua com a vida.
Como uma onda no mar.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

A VERDADEIRA HISTÓRIA DOS DOIS LOBOS CONTADA PELO ÍNDIO Cherokee


“Existe uma antiga história dos índios Cherokee sobre o cacique de uma grande aldeia. Um dia, o cacique decidiu que era hora de orientar o seu neto favorito sobre a vida. Ele o levou para o meio da floresta, fez com que se sentasse sob uma velha árvore e explicou:

"Filho, existe uma batalha sendo travada dentro da mente e do coração de todo ser humano que vive hoje. Embora eu seja um velho e sábio cacique, o líder da nossa tribo, essa mesma batalha é travada dentro de mim. Se você não souber dessa batalha, ela o fará perder o juízo. Você nunca saberá que direção tomar. Às vezes vencerá na vida e, depois, sem entender o porquê, perceberá que está perdido, confuso, com medo, arriscado a perder tudo o que trabalhou tanto para ganhar. Você muitas vezes achará que está fazendo a coisa certa e depois descobrirá que fez as escolhas erradas. Se você não entender as forças do bem e do mal, a vida individual e a vida coletiva, o verdadeiro eu e o falso eu, você viverá a vida todo num grande tumulto”.

"É como se existissem dois grandes lobos vivendo dentro de mim; um é branco e o outro é preto. O lobo branco é bom, gentil e não faz mal a ninguém. Ele vive em harmonia com tudo à sua volta e não se ofende se a intenção não era ofender. O lobo bom, sensato e certo de quem ele é e do que é capaz, briga apenas quando essa é a coisa certa a fazer e quando precisa se proteger ou à sua família, e mesmo então ele faz isso da maneira certa. Ele toma conta de todos os outros lobos da matilha e nunca se desvia da sua natureza”
."Mas existe o lobo preto também, que vive dentro de mim, e esse lobo é bem diferente. Ele é ruidoso, zangado, descontente, ciumento e medroso. Basta uma coisinha para que ele se encha de fúria. Ele briga com todo mundo, o tempo todo, sem nenhuma razão. Ele não consegue pensar com clareza, porque a sua ganância para ter sempre mais e a sua raiva e a sua ira são grandes demais. Mas trata-se de uma raiva infrutífera, filho, porque ela não muda nada. Esse lobo só procura confusão aonde quer que vá, e por isso sempre acaba achando. Ele não confia em ninguém, por isso não tem amigos de verdade”.

O velho cacique ficou sentado em silêncio durante alguns minutos, deixando que a história dos dois lobos penetrasse na mente do jovem neto. Então ele lentamente se curvou, olhou fixamente nos olhos do menino e confessou, "Às vezes, é difícil viver com esses dois lobos dentro de mim, pois eles brigam muito para dominar o meu espírito".

Cativado pela história do ancião sobre essa grande batalha interior, o menino puxou a tanga do avô e perguntou, ansioso, "Qual dos dois lobos vence, vovô?" E com um sorriso cheio de sabedoria e uma voz firme e forte, o cacique diz, "Os dois, filho. Veja, se eu escolho alimentar só o lobo branco, o preto ficará à espreita, esperando o momento em que eu sair do equilíbrio ou ficar ocupado demais para prestar atenção às minhas responsabilidades, e então atacará o lobo branco e causará muitos problemas para mim e nossa tribo. Ele viverá sempre com raiva e brigará para atrair a atenção pela qual tanto anseia. Mas, se eu prestar um pouquinho de atenção no lobo preto, compreendendo a sua natureza, se reconhecê-lo como a força poderosa que ele é e deixá-lo saber que eu o respeito pelo seu caráter e o usarei para me ajudar se um dia eu ou a tribo estivermos em apuros, ele ficará feliz, e o lobo branco ficará feliz também, e ambos vencerão. Todos venceremos".

Sem entender direito, o menino perguntou, "Não entendi, vovô. Como os dois lobos podem ganhar?"
O cacique continuou a explicação: "Veja, filho, o lobo preto tem muitas qualidades importantes de que eu posso precisar, dependendo das circunstâncias. Ele é feroz, determinado, e não se deixará subjugar nem por um segundo. Ele é inteligente, astuto e capaz dos pensamentos e estratégias mais tortuosos, o que é importante em tempos de guerra. Ele tem os sentidos aguçados e superiores que só aqueles que olham através da escuridão podem apreciar. Em meio a um ataque, ele poderia ser o nosso maior aliado".

O cacique então tirou da sua bolsa alguns pedaços de carne defumada e colocou-os no chão, um à direita e o outro à esquerda. Ele apontou para a carne e disse, "À minha esquerda está a comida para o lobo branco e à minha direita está a comida para o lobo preto. Se eu optar por alimentar os dois, eles não brigarão mais pela minha atenção, e eu poderei utilizar cada um deles como precisar. E como não haverá guerra entre eles, poderei ouvir a voz da minha sabedoria profunda e escolher qual dos dois pode me ajudar melhor em cada circunstância. Se a sua avó quer uma carne para fazer uma refeição especial e eu não cuidei disso como deve-ria, posso pedir para o lobo branco me emprestar a sua magia e consolar o lobo preto da sua avó, que estará zangada e faminta. O lobo branco sempre sabe o que dizer e me ajudará a ser mais sensível às necessidades dela”.


“Veja, filho, se você compreender que existem duas grandes forças dentro de você e respeitar a ambas igualmente, as duas sairão ganhando e haverá paz. A paz, meu filho, é a missão dos Cherokee — o propósito supremo da vida. Um homem que tem paz dentro de si tem tudo. Um homem dividido pela guerra em seu íntimo não tem nada. Você é um jovem que precisa escolher como vai lidar com as forças opostas que vivem no seu interior. A sua decisão determinará a qualidade do resto da sua vida. E quando um dos lobos precisar de atenção especial, o que acontecerá às vezes, você não terá do que se envergonhar; poderá simplesmente admitir isso para os anciãos e conseguirá a ajuda de que precisa. Quando isso for de conhecimento público, aqueles que já travaram essa mesma batalha podem oferecer-lhe a sua sabedoria".

sexta-feira, 20 de junho de 2014

AS 4 LEIS ESPIRITUAIS


1ª Lei – A PESSOA QUE CHEGA É A PESSOA CERTA.
Ou seja, ninguém chega em nossas vidas por acaso, todas as pessoas que nos rodeiam, que interagem conosco, estão ali por algum motivo, para nos fazer aprender e avançar em cada situação.


2ª Lei – O QUE ACONTECE É A ÚNICA COISA QUE PODIA ACONTECER.
Nada, absolutamente nada do que nos acontece em nossas vidas poderia ter sido de outra maneira, nem sequer um detalhe mais insignificante. Não existe aquilo de …”se tivesse feito tal coisa … teria acontecido tal coisa …”.

3ª Lei – EM QUALQUER MOMENTO QUE COMECE É O MOMENTO CORRETO.
Tudo começa no momento certo, nem antes nem depois. Quando estamos preparados para que algo novo comece em nossas vidas, aí então começará. O que aconteceu foi o que pôde acontecer e teve que ser assim para que aprendêssemos essa lição e seguíssemos em frente. Todas e cada uma das situações que acontecem em nossas vidas, são perfeitas, ainda que nossa mente e nosso ego resistam e não queiram aceitar.

4ª Lei – QUANDO ALGO TERMINA, TERMINA.
Simplesmente assim. Se algo terminou em nossas vidas, é para nossa evolução , portanto, é melhor deixá-lo seguir adiante e avançar já enriquecidos com essa experiência. Creio que não é por acaso que você esteja lendo este texto. Se este texto chega em nossas vidas é porque estamos preparados para entender que nenhum floco de neve cai em lugar errado.

(Ensinadas na Índia)

segunda-feira, 9 de junho de 2014

NOVOS CAMINHOS

É inacreditável como um ato, uma de-cisão nossa, pode alterar o rumo do nosso futuro; como o nosso livre arbítrio constrói novos cenários e muda completamente a direção, o rumo e o caminho da nossa história.

Como que apenas uma atitude, uma decisão tem o poder de nos remeter em direções desconhecidas, porém, previamente calculadas de forma que mesmo desconhecendo os novos caminhos com seus presentes e sustos, podemos antecipadamente intuir e antever seus desfechos.

Quando nos encontrarmos no limbo da existência e tivermos perdido o sabor da vida, analisemos as possibilidades, nos levantemos e tenhamos a coragem de recomeçar. Nunca é tarde para temperar a vida, colorir nosso futuro e nos aconchegarmos no seio da providência.

O amor sempre nos surpreende, já que ele é eterno e imortal; já que ele é o poder maior que sinaliza sorrisos; desperta suspiros; proporciona sonhos acordados e tem o dom de aquecer o coração e colorir a vida.

É muito bom saber que podemos desistir do amor, porém, ele jamais desiste da gente.

Cláudio


quarta-feira, 4 de junho de 2014

DESEJO MASCULINO


É isso!
Essa é a sensação, a vontade e o desejo masculino dos 12 aos 40 anos quando os hormônios comandam. Mas relaxa! Depois dos 40 anos as coisas mudam e já não serás escravo dos hormônios, então, poderá se humanizar mais facilmente.
Namastê _/|\_

terça-feira, 3 de junho de 2014

Me descobri codependente. E agora?



P: “Recentemente, por sua indicação, comprei o livro “Codependência Nunca Mais” (autora: Melody Beattie) e… Sim, eu sou uma codependente. Tipo, uma super codependente. Até aí tudo bem, me identifiquei e percebi que em todas as minhas relações eu dançava entre a vítima e a salvadora. Mas agora me sinto vazia, pois eu só sei amar assim. O único amor que conheço é este, do cuidado, que possivelmente seja excessivo e que permeia o domínio. Sempre soube que havia algo errado comigo, mas agora estou me sentindo super perdida porque nunca vivi outra forma de amor, e acho que não saberia amar sem ser assim! E agora?”

R: Antes de mais nada, deixa eu esclarecer o que é codependência, para aquelas pessoas que não estão familiarizadas com o tema e que não sabem do que é que você está falando, rs! Codependência é um termo que foi cunhado a partir da experiência, nos Estados Unidos, dos grupos de Anônimos como Alcoólatras Anônimos (AA) e Narcóticos Anônimos (NA), e se referia, inicialmente, aos familiares dos dependentes químicos. No desenrolar deste trabalho com grupos de apoio percebeu-se que as pessoas muito próximas ligadas aos dependentes químicos possuíam uma dinâmica de comportamento muito característica… E o que é pior: uma dinâmica que favorecia a manutenção dos comportamentos de adição química. A esta dinâmica de comportamento deu-se o nome de Codependência, que acabou por transcender os casos de dependência química e, que hoje, se aplica a uma gama de processos emocionais definidos aqui através do nome de codependência emocional.

A Codependência é caracterizada por uma “dança” que ocorre entre duas pessoas, que se revezam em 3 posições bastante características, duas delas citadas aqui nesta pergunta. A primeira das posições é a vítima (no caso da dependência química, o próprio dependente). É uma pessoa supostamente frágil, fraca, que precisa de apoio e de auxílio. É a pessoa que precisa de ajuda, de salvamento, alguém que aparentemente não dá conta da própria vida sozinha. Se sairmos do campo da dependência química, a vítima pode ser uma pessoa problemática, com inúmeras questões emocionais, problemas financeiros ou de saúde… Qualquer característica que a coloque em uma posição de fragilidade desmedida.

A segunda posição é o salvador – a pessoa que se propõe a salvar a vítima de si mesma, sem para isso poupar esforços. O salvador abre mão da própria vida para cuidar da vida do outro, com a sensação absolutamente verdadeira de que se não o fizer, a vítima estará perdida para sempre. O salvador tem a sensação de que a vida da vítima depende dele, só dele, de ninguém mais além dele. O salvador se doa e não se intimida em pagar todos os preços para que experimente a sensação de que está tudo certo e de que ele está fazendo a sua parte.

Só que existe também a terceira posição: o algoz, o bandido, o sacana. E o algoz é a terceira posição na qual, de quando em quando, vítima e salvador se revezam. Se por acaso a vítima resolve cuidar da própria vida, estabelecer um limite para o salvador e dizer, “olha, agradeço a sua ajuda mas de verdade acho que devo viver a minha vida do jeito que EU acho que devo”, o salvador vira vítima e a vítima vira o bandido da história. O salvador passa então a se sentir o lixo da humanidade, um completo idiota por ter feito tanto por uma pessoa que, vejam só, não reconhece seus esforços e simplesmente não está nem aí para todo o sacrifício que ele fez para ajudá-la. A dor que o salvador sente ao ver a vítima decretando sua independência ou simplesmente não correspondendo suas expectativas é absolutamente dilacerante.

Se, por outro lado, o salvador se cansa e resolve cuidar da própria vida ao invés de ficar salvando a vítima de si mesma, ele automaticamente se transforma no bandido, no algoz, e a vítima continua, então, no papel da fragilidade humana que precisa de alguém que a salve. A dinâmica é bastante semelhante, se formos olhar de perto: nem vítima e nem salvador se responsabilizam por si mesmos. E a dança continua, ad eternum…

Dito isso e tendo ficado claro para outras pessoas do que você está falando quando diz ser a salvadora e a vítima, vamos ao que interessa. E, em primeiro lugar: não há nada de errado com você. Você nunca esteve errada em se comportar como se comportava, a única questão é que o fazia de modo inconsciente e sem saber o porquê. Hoje, você sabe. Da próxima vez em que se envolver em um relacionamento afetivo, o que antes você fazia de modo inconsciente e no piloto automático vai estar mais claro. Você tem maiores chances de se “pegar no pulo” quando conhecer uma pessoa e reconhecer esta dinâmica querendo se repetir.

Isto é desenvolvimento pessoal: des-envolvimento pressupõe um ato de deixar de estar envolvido com o que estávamos envolvidos anteriormente. Neste caso, com a posição de salvador, ou vítima. No processo de libertação da codependência (sim, porque ela aprisiona e escraviza), faz parte da brincadeira o salvador deixar que as pessoas cuidem da sua própria vida e perceber que ele também deve cuidar da sua. Faz parte aprender a respeitar processos alheios com a constatação de que existem outras formas de viver a vida que não a dele. Faz parte compreender que, por mais que muitas vezes ele enxergue o caminho a ser seguido por outra pessoa (o que, de fato, muitas vezes acontece!), faz parte do aprendizado daquela pessoa se dar conta do caminho por si só, sem ter alguém a pegá-la pela mão e direcioná-la. E faz parte do processo da vítima perceber que, ao longo da vida, vem se apoiando em outras pessoas e deixando de se responsabilizar por si mesma.

Você fala que não sabe amar de outra forma sem ser através do cuidado, e eu te digo que o cuidado faz parte, sim, do amor. Mas o que você vem chamando de amor não é nada além de fuga de si mesma, porque quando nós ajudamos o outro ganhamos status de “olha só como ela é incrível, ajudando tanto a outra pessoa, qualquer uma teria desistido há muito tempo já e blablabla” e, assim, nos sentimos menos defeituosos. Repito: não há absolutamente NADA de errado com você. Muito pelo contrário. Você é perfeita em ser como é e seus comportamentos foram adequados, porque eram orientados por crenças das quais você não tinha consciência. E “ter algo de errado” é justamente uma destas crenças, porque no fundo no fundo a grande problemática do salvador é justamente sua crença inconsciente de que há algo de errado e de estragado com ele, e por isso ele sempre precisa fazer algo para MERECER o amor dos outros. Então ele escolhe pessoas “estragadinhas”, projetando seu próprio estrago no outro e não olhando para seus lugares sombrios, e sim para os do outro. E ele escolhe pessoas que vão permitir que ele continue nesta dança eternamente, porque esta é uma dança que alimenta seu ego e sua sensação de estar “consertando” alguma coisa.

Mas tudo isso é apenas percepção. Nada além de percepção. Você não é estragada e não tem absolutamente nada de errado com você. O que estava errado, talvez, era o motivo pelo qual você agia como agia e, futuramente, nada te impede de agir do mesmo modo. Mas, agora, a dinâmica por trás dos comportamentos estão mais claras e a ignorância não te protege mais. O que se ganha, com a vinda da consciência, é o direito de escolha. Porque quando nossos comportamentos são regidos pelo inconsciente não há escolha: há piloto automático e escravidão. Apenas isso.

Seja livre, e amar será bem mais simples do que parece.
Namastê _/\_