segunda-feira, 27 de maio de 2013

E COMO É AMAR VOCÊ?


É ver o Sol nos seus olhos;

É acordar e pensar que continuo a sonhar;

É dormir grudado feito marsupial;

É sentir seu cheiro quando está a quilômetros de distância;

É permanecer com o coração repleto, mesmo depois que a morte a levou;

É saber que não há nada que nos possa separar e saber que o tempo não apaga o amor, só o petrifica e fortalece;

É não me importar com aquelas estriazinhas e até achá-las charmosas;

É saber que uns quilinhos a mais, em você, só enriquecem seu design;

É ver o Céu no seu sorriso, o Mar em seus suspiros e o vulcão em seus delírios;

É saber me entregar e no seu ventre me reconectar com o divino;

É sentir a Lua transbordar nos tirando pra bailar;

É fazer amor sem limites a sonhar;

É nos plugar no olhar, nos sons, nos cheiros e no paladar;

É sentir seu toque a me acariciar;

É nos encaixarmos dos pés à cabeça inebriados pelo desejo exacerbado de nos invadirmos;

É termos todos os orgasmos da ressurreição e os êxtases dos reencontros;

É saber que somos um e que estamos plenos e absolutamente completos;

É sentir saudade ainda em sua presença;

É ter seu coração pulsando dentro do meu peito enquanto meus olhos lambem todas as suas curvas do lado de fora;

É salivar ao me lembrar de você, dos seus sorrisos, da sua carinha de sapeca e da sua criança interior;

É sentir a plenitude da paz no aconchego do seu abraço ao me vestir de você na hora de dormir;

É vigiar seu sono enquanto penso em como sou feliz em você;

É ouvir seus roncos com o mesmo prazer que escuto meus pensamentos;

É saber que despertarás ao meu lado para sempre e que a cada dia será ímpar e especial;

É acordar a qualquer hora para te acompanhar aonde for;

É te cuidar com todo carinho, atenção, dedicação e amor com que me cuidas;

É saber-me seu, assim como é sabe-la minha;

É viver sua vida assim como vives a minha;

É despertar do ventre da noite e nos banhar de alegria enquanto contemplamos e exploramos a geografia um do outro;

É decorar os nossos corações com gemidos e olhares;

É te desejar mais do que a vida;

É não temer que a morte te leve, mesmo porque ela não tem o poder de nos separar;

É saber que fomos criados um pro outro, e que nem morte e nem vida, nem altura e nem profundidade, nem coisas do presente ou do porvir pode acabar com o nosso amor;

É tirar a vida pra dançar todos os dias, só porque você existe.

Cláudio Nunes Horácio

A CIDADE INTERMEDIÁRIA

Eles estavam se relacionando há cerca de um ano e se viam de 15 em 15 dias.

No intervalo entre um encontro e outro, o espírito se agitava, se contorcia, sofria as cólicas da saudade indizível, morria de inanição pelo toque do amor não ingerido.

Numa dessas semanas infinitas de saudade, houve um feriado na quarta-feira. Então decidiram se encontrar numa cidade entre as cidades que moravam. Na terça-feira a tarde ele sairia de sua cidade com destino a cidade intermediária; ela sairia à noite para encontrá-lo lá.

As horas no ônibus pareciam milênios, era como se o tempo estivesse com o freio de mão puxado. Seu coração pulsava, queimava, chorava e urrava pela urgência do encontro. Enquanto isso a lentidão do tempo parecia inesgotável, era uma tortura infinita que sangrava a sua alma, esgotando sua vida e roubando-lhe o último fôlego que lhe restava.

Finalmente, o ônibus chegou à rodoviária. Suas emoções estavam em carne viva, tudo nele estava à flor da pele. Todas as fraturas da alma estavam expostas; as pisaduras emocionais, os hematomas mentais, a gula carnal e a urgência dos seus olhos a cruzar com os dela; do beijo a aspirar-lhes os espíritos os mesclando, fazendo-os um como fora desde o princípio, bem antes de nascerem nesse século.

Quando seus olhos se cruzaram, seus corações saltaram, o vulcão dentro do peito borbulhava e o desejo de estarem a sós berrava.

Dirigiram-se para o motel mais próximo, não tinham muito tempo. Já passara da zero hora de quarta-feira e só tinham até às 17 horas para se saciarem de amor e haveria a separação novamente.

Ela entrou primeiro na suíte, colocou sua bolsa em cima da cama enquanto ele fechava a porta. Ao virar-se para ele, se abraçaram com todas as suas forças, ele se deitou por cima dela permanecendo abraçados.

Nunca, na história, houve um abraço daqueles. Era o abraço mais apertado, desesperado, quente, vital, pulsante, faminto, exagerado e brutal que alguém já ganhou.

Em meio à calefação do coração, com o fogo eterno a queimar a alma houve o encaixe perfeito dos olhos e das bocas a devorarem-se entre si, aspirando e inspirando seus espíritos e fundindo-se em um só ser novamente. Já não eram dois, mas uma só carne, uma só mente e um só espírito. Nessa hora houve as mais belas e poéticas declarações de amor e orações dirigidas ao Altíssimo.
As súplicas referiam-se a intercessões a favor de ambos e a favor do outro. Clamavam misericórdia para a união dos dois, imploravam providências para ficarem juntos para sempre. Os gemidos inexprimíveis diziam muito mais que as palavras, os urros do espírito clamavam pela união e para que não houvesse mais a separação, nunca mais!

Enquanto oravam, as lágrimas vertiam de seus olhos, seus lábios se beijavam e se mordiam, suas bocas respiravam o ar um do outro e seus abraços eram cada vez mais apertados.

Depois de quase meia hora em estado de êxtases e contemplações, a saudade deu lugar ao desejo desenfreado e carnal, a libido ultrapassou todos os limites imagináveis e fizeram amor como animais selvagens; ele a pegou como a um leão faminto que captura a sua presa. Seus olhos chamejavam ao contemplá-la nua; ele salivava e babava enquanto a beijava, mordia, lambia, degustava...

Ela urrava de prazer e satisfação e se contorcia diante do desejo do seu macho que a dominava toda e a subjugava enquanto seu corpo pedia mais e mais.

Ele degustava seu grelo como se fosse a mais suculenta das uvas molhadas de chocolate, o prendia entre os dentes e sua língua o massageava alisando-o suavemente, enquanto isso seus lábios o sugava e sua boca o puxava como tentando arrancá-lo e, aos poucos, tornava os movimentos da língua mais intensos e rápidos.

Seu grelo inchava, inchava e inchava até se parecer com um coração de ervilha a estabelecer sinapses de êxtases e babar antes da convulsão final.

Ela serpenteava, gemia, alucinava, implorava sua penetração; enquanto tentava escapar daquela tortura; ele a prendia pelos quadris a imobilizando e a obrigando a ficar quietinha, não havia como fugir.

Ele a soltou deslizando o corpo para cima do seu, suas mãos a alisava toda como se fosse um polvo e a beijava; chupava seus lábios, pescoço e seios. Ela se distraíra com suas carícias e sem que ela o percebesse ele a penetra fortemente, até o talo, sem dó nem piedade. Ela gritara assustada com os olhos arregalados, porém enlouquecida de desejo silenciara a espera de mais.

Em meio aos movimentos ele a contempla pelos olhos a imobilizando pelos cabelos e continua a mover-se lenta e profundamente; seus corpos estão tão grudados que parecem um só, há um único fôlego de vida nessa fusão de amor: olhos nos olhos, respirações sincronizadas, movimentos em perfeita harmonia...

Seus êxtases são intensos e prolongados até o derrame final onde há a convulsão dos sentidos que os leva juntinhos ao orgasmo extremo que os satisfaz.

Na suíte ouvem-se urros, gemidos, respirações ofegantes, juras de amor eterno, e percebem-se corpos exaustos a descansar suavemente agasalhados um do outro. Alcançaram a plenitude, houve a fusão total e integral dos seus seres, tudo foi como era desde o princípio, não havia mais dois, mas um só ser.

Seus êxtases foram múltiplos e seus orgasmos intensos, fortes como os raios, potentes como os furacões, tudo isso em meio aos tsunamis de emoções que vão desde o desejo carnal mais perverso, ao amor mais sublime.

Finalmente, cansados e plenos, permaneceram imóveis abraçados e conversando baixinho por alguns minutos, mas a saudade ainda queimava o peito e a dor da separação ainda permanecia latejando. Assim, recomeçaram a fazer amor, tão intensamente como à primeira vez, e fizeram e fizeram e fizeram amor, até que na completa exaustão, seus corações se acalmassem e a saudade diminuísse.

Passaram praticamente o tempo todo acordados, dormiram pouco mais de uma hora e voltaram a se amar até a hora do embarque.

Ele a deixou e enquanto o ônibus partia, ele a via aos prantos, com os olhos mortos e desesperados. Essa imagem nunca mais lhe saiu da memória.

Poucos meses depois, suas orações foram atendidas: casaram-se! E a história continua...






domingo, 26 de maio de 2013

ENCONTRO DE ALMAS


Quando nos afastamos da nossa “alma gêmea” por um tempo razoável, diariamente vamos perdendo o viço e o fôlego de vida que anima o nosso corpo, evaporamo-nos, ficamos sem combustível vital até que desfalecemos.

Quanto maior for à distância do toque e mais prolongado for o reencontro, menos energia temos; é como esconder do sol que nos energiza, da água que nos hidrata e do alimento que nos mantém ativos.
A alma faminta precisa do encontro, do toque, do cheiro, dos olhares, das conexões carnais e espirituais proporcionadas pelo amado... do beijo do eterno, do toque dos olhos, do abraço do mar; o acariciar do vento... É como tragar o sol e abraçar a lua, é equilíbrio e paz; força e serenidade.

O reencontro é uma mixagem indescritível: dois corpos, dois espíritos, duas almas e dois seres que se mesclam e se fundem entre abraços e gemidos, entre lágrimas de felicidade, saudade doída, reencontro de paz, respirar de ternura e conexões invisíveis que plugam seus corpos, seus espíritos, suas mentes, suas emoções, suas almas, tornando-os fôlego de vida... Tudo o que anima as suas almas estão ligados, todas as percepções estão na epiderme espiritual. Já não são mais dois, mas um só ser. Integrados, ligados, conectados ao todo fazendo-se plenos, completos, acabados.

A sensação de leveza é indescritível e a plenitude é de quem carrega o Universo todo no olhar, é navegar nas veias do sentir contemplando as paisagens do fundo do mar do amor; é tragarmos ao outro e por ele sermos tragados... inalados, ligados, amparados, supridos, eternizados, tornando-nos plenos, assumidos...
Há constância e plenitude; há paz e mansidão; há êxtases e sustos de amor sem fim; há domínio e prontidão; há alegria no coração.





Caminhos


CONTÁGIO

Quanto de mim sobrou em você? Quanto de você restou em mim?

Somos feitos de encontros, desencontros, vivências, convivências...
Idiossincrasias, jeito próprio de ser...

Características nossas que deixamos no outro, modo único de nos expressar que incorporamos em nossa linguagem depois do encontro.

E o impacto do aprendizado da vivência nos acompanha pelo resto da vida, e carregamos o outro conosco, não ao nosso lado, mas dentro, como arquivo gravado no disco rígido do coração, da alma e das emoções. Você em mim; eu em você, pra sempre!

A convivência impregna o comportamento, contamina as ações, é como gripe: pegamos sem querer. Quando nos damos conta, já temos em nós diversas características tomadas de outros: falas, pensamentos, conceitos, preconceitos, prismas...

Somos contamináveis e a propaganda e o marketing estão aí pra nos provar isso:
“uma mentira repetida muitas vezes torna-se verdade” – muda a mentalidade social; faz o inaceitável virar rotina. E o que antes era abominável, hoje é louvável. Pobres seres vulneráveis!

Sou vulnerável à você; você é vulnerável à mim, e assim, com o tempo, vamos agregando valores, mudando conceitos, incorporando manias, sofrendo pequenas transformações diárias.

No final, somos todos influenciadores e influenciáveis vivendo e aprendendo no decorrer da vida e, com o passar dos anos, contaminamos e fomos contaminados com as idiossincrasias alheias. Ninguém é livre desse contágio, por isso crescemos, por isso aprendemos e nos transformamos na história.

Nada é fixo, exceto a mudança! Por isso carrego você em mim como você me carrega em ti, porque houve encontro, há uma história e a convivência nos proporcionou o contágio.

Dessa forma as metamorfoses acontecem, sofremos mutações constantes, aprendemos, nos arrependemos e nos transformamos constantemente. Melhoramos a cada dia!

Cláudio