sexta-feira, 18 de outubro de 2019

O idiota com limão na cara

Por Fernando Fabbrini*
Num certo dia de 1995, um sujeito chamado McArthur Wheeler entrou num banco dos EUA logo cedo, assim que as portas se abriram. Calmamente, sem esconder o rosto, sacou uma pistola e anunciou o assalto. Os funcionários não resistiram. Entregaram-lhe uma bolsa com maços de dinheiro e McArthur foi embora.
A cidade era pequena, no interior. Com uma simples olhada nos vídeos da segurança o assaltante foi identificado rapidamente – nome, endereço, tudo. Daí a pouco a polícia chegou à sua casa e o prendeu. McArthur ficou surpreso. Ao ser algemado, disse aos policiais:
- Mas... Como vocês me descobriram? Eu usei sumo de limão no rosto! ...
Ele se referia a um antigo truque no qual se usa sumo do limão para fazer uma “tinta invisível”. É assim: escreva com suco de limão num pedaço de papel, espere secar. As palavras vão sumir e só podem ser lidas se o papel for aquecido na chama de uma vela. Portanto, acreditem: o ingênuo assaltante imaginou que estaria igualmente invisível se passasse suco de limão no rosto, como tinha feito.
O episódio chamou a atenção de David Dunning e Justin Kruger, dois pesquisadores da Universidade de Cornell. Examinaram o caso com profundidade, fizeram entrevistas e constataram que McArthur Wheeler não era louco nem estava sob o efeito de drogas. Era simplesmente... um idiota. Com base na história, os estudiosos conceituaram o Efeito Dunning-Kruger, publicado no Journal of Personality and Social Psychology em dezembro de 1999.
As conclusões são intrigantes e curiosas. Kruger e Dunning descobriram que as pessoas incompetentes desenvolvem uma estranha ilusão de superioridade com relação às próprias capacidades. Estes indivíduos não têm condições de analisarem seus próprios saberes de maneira justa, já que possuem – claro – níveis muito baixos de meta-cognição, ou seja, a capacidade de saber que sabemos. Em outras palavras, são inconscientes de suas próprias ignorâncias.
Diz David Dunning: “se alguém é estúpido, infelizmente não tem meios de saber que o é”. Dunning cita um exemplo engraçado. Alunos que têm regularmente notas baixas muitas vezes se acham muito inteligentes. Já os que dominam de verdade alguma matéria são, com frequência, acometidos de inseguranças, de dúvidas sobre aquele assunto. Não é raro acontecer que estes, que conhecem a matéria a fundo, saírem de uma prova dizendo:
- Hum... Sei lá, acho que fui mal.... – E, no entanto, tiram nota máxima.
Isso porque os que sabem, também sabem que não há fronteiras para o conhecimento; estão sempre insatisfeitos com o que sabem - e buscam mais. Já os chamados incompetentes contentam-se com os próprios limites pelo fato de não saberem medir a própria ignorância.
Portanto, fica um alerta: vale sempre considerar Dunning-Kruger quando nos sentimos absolutamente seguros de alguma coisa. Quem sabe não estaremos – na verdade - sob o efeito do mesmo?  Por outro lado, um alento: ter dúvidas de algo que pensamos dominar é, em compensação, um bom sinal.   
A saída está na busca constante de mais conhecimentos. Leituras, conversas, aulas, perguntas inteligentes ao professor, cursos de especialização, o que for. Não devemos ter medo de parecermos burros; é até melhor. Passando suco de limão na cara e se imaginando um gênio do disfarce, o pobre McArthur Wheller pensava ser muito esperto. Deu ruim.
*Fernando Fabbrini é roteirista, cronista e escritor, com quatro livros publicados. Participa de coletâneas literárias no Brasil e na Itália e publica suas crônicas também às quintas-feiras no jornal O TEMPO.

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

DEPRESSIVOS - OS CAMALEÕES DA EXISTÊNCIA 2


Dando sequencia ao meu texto anterior, vamos aos fatos:

A depressão é causada pela deficiência dos neurotransmissores serotonina e dopamina no cérebro, essa é a sua real causa.

Os neurotransmissores, serotonina e dopamina, são os responsáveis pelas sensações de prazer e bem estar, a ciência já provou que a depressão é um desequilíbrio químico provocado pela alteração dos neurotransmissores, substâncias que fazem a comunicação entre as células nervosas, especialmente da noradrenalina e da serotonina.

Isso é um fato científico, tanto as opiniões dos leigos como as suas indicações de “remédios caseiros” como: rezar, ser grato, benzer, frequentar uma religião ou parar de pensar, se jogar no trabalho ou mesmo propalar frasezinhas de filosofia de almanaque como: “depressão é excesso de passado, ansiedade é excesso de futuro. Viva o presente!” Só conseguem nos enfurecer.

Não entende do assunto? Vá estudar e pare de encher o saco!

O silêncio dos ignorantes já é uma bênção, agora, se quiser palpitar, ao menos adquira conhecimento real daquilo que no momento você ignora. Afinal, todos somos ignorantes em vários assuntos e isso não é vergonha alguma, vergonhoso é dar palpites sem o conhecimento real e necessário para tal.

Nossos sentimentos são superlativos, exagerados ao extremo, o que para os “normais” é rotineiro, para o depressivo é tortura chinesa, exemplificando:

Multidões, festas, alegria artificial (bebidas e outras drogas), reuniões familiares com quem não temos afinidade, tipo o Natal e o Ano Novo, churrascos em geral (na empresa...)

Claro que cada pessoa é única e o que me tortura pode não torturar a outro depressivo, pois apenas os sintomas são iguais. Além de que tudo isso dependerá de quem estará nesses encontros, se temos afinidades ou não.
Falação de manhã, então, dá vontade evaporar; à tarde já é um pouquinho mais suportável, dependendo do que nos é dito.

Quanto mais velhos ficamos, menos tempo temos para idiotices. Precisamos de um tempo diário para nós com nós mesmos, sem intromissão, sem interrupção. Isso é fundamental para conseguirmos o equilíbrio diário necessário para atravessar mais um dia.

Você pode pensar que quase ninguém tem tempo pra si, mas lhe respondo que não existe isso para um doente com depressão, pois ou a pessoa tem esse tempo, ou ela surta, a escolha é simples: quer viver numa boa com a gente? Nos dê o necessário para a manutenção da nossa sanidade mental ou colha as consequências.

A outra opção é desaparecer da nossa vida, o que já nos ajudará em muito, caso você seja só mais um problema diário para nós. Já somos “loucos” o suficiente sem a ajuda de quem diz nos amar, mas que de fato, só contribui para inflamar ainda mais a nossa doença mental.
Buscamos o equilíbrio diário e não é nada fácil, se você quebrar o pé, ninguém irá lhe sugerir uma boa caminhada, logo, se a química cerebral está em desequilíbrio, não nos sugira idiotices!

Ninguém com um braço quebrado é levado ao centro espírita, à igreja ou ao psicólogo, mas ao médico ortopedista, logo, não nos indique algo semelhante sugerindo que não temos nada e que apenas estamos dando birra porque somos mimados.
Todos nós nos esforçamos diariamente para manter a sanidade, para fugirmos das crises e mantermos o máximo de normalidade, justamente, porque odiamos sentir o que sentimos.

O pior de tudo isso são os julgamentos e as sugestões de tratamento (sem conhecimento), além das convivências diárias forçadas (ex.: no trabalho), onde somos obrigados a representar como histriões no palco da vida.

Esses são fatos sobre a nossa doença mental, se não gostou, nada podemos fazer. Não somos assim porque gostamos, mas porque temos uma doença.

A escolha de ficar ou partir é individual, logo, mesmo que amemos profundamente alguém, sabemos que não podemos obriga-la a aceitar o fato de que temos uma doença e que variamos “de acordo com uma Lua própria”. Não fazemos de propósito, não simulamos crises, apenas as vivemos e tentamos evita-las ao máximo. Infelizmente, nem sempre conseguimos.

Temos consciência do quão difícil é conviver conosco em muitos e muitos momentos. Sabemos que aqueles que nos amam sofrem muito, mas penso que só o fato desses se informarem da doença, já lhes ajudarão muito para compreender um momento de crise.

Entenda: sua pressão, seu nervosismo, indignação ou esforço para nos tornar pessoas “normais” é vão, inútil e insano. Muitas pessoas que se tornaram depressivas depois de adultos vivem rompimentos definitivos de relacionamentos porque a parte “normal” não aceita a nova condição do parceiro. Isso acontece com profissionais, casais, amigos e familiares.

Não temos depressão porque queremos, nada e nem ninguém conseguirá nos ajudar estuprando nosso emocional, nos ofendendo ou nos obrigando a fazer a vontade dela. Além de não haver a mudança desejada pela pessoa, ainda acionará o gatilho para crises agudas que não sobrará pedra sobre pedra.

Cláudio Nunes Horácio



quarta-feira, 16 de outubro de 2019

DEPRESSIVOS - OS CAMALEÕES DA EXISTÊNCIA

Viver com alterações de humores, em condições de depressão, seja ela mono ou bipolar, nos causam muitos problemas de relacionamentos.

E, não somente problemas conjugais, mas financeiros e profissionais também.

Quando oscilamos muito, há decisões contraditórias num período muito curto de tempo: ora vivemos uma tristeza profunda, ora vivemos uma euforia insana; ora sentimos e pensamos que tudo está errado, que tudo que existe não vale a pena e desistimos da vida; ora exultamos com qualquer coisa rotineira acreditando que mesmo o mais improvável dará certo.

Nesses períodos é que fazemos as maiores imbecilidades, pois ou nos demitimos, divorciamos ou abandonamos tudo e sumimos ou, assumimos dívidas que jamais conseguiremos pagar ou, fazemos promessas e assumimos compromissos impossíveis.

Os remédios nos equilibram de forma a nos tirar do céu e do inferno e nos transporta para o centro, para a realidade, nos permitindo uma estabilidade emocional que evita os extremos, porém nos tira o gosto da vida que fica insossa.

Passamos a sentir menos, infinitamente menos: menos excitados, menos exultantes, menos tristes, melancólicos e pessimistas. Porém, essa mudança de sentimentos também pode causar transtornos, caso a medicação esteja errada.

Remédios ou doses erradas podem nos deixar extremamente nervosos e violentos, impacientes, aflitos, extremistas, superexcitados ou completamente largados e desanimados.

Dependendo do momento amamos alguém profundamente ou o odiamos profundamente. E, o pior é que, no momento, o sentimento é real e verdadeiro, mudando de polo pouco tempo depois.
Depressão é uma doença mental, e “a pior parte de ter uma doença mental é que as pessoas esperam que você se comporte como se não a tivesse.” (filme “Coringa”).

Lidamos todos os dias com os “normais”, pessoas que desconhecem esse Universo que vivemos e que julgam que esse mundo não existe, que somos mimizentos, mimados e que inventamos estória toda hora.

Sofremos todo tipo de crítica e recebemos inúmeras sugestões:

“Isso é falta de Deus.”
“Você precisa procurar uma religião.”
“A vida é assim pra todo mundo.”
“Você precisa reagir.”
“Você é esquisito demais, tem que mudar.”
“Eu já tive depressão e superei, reagi.”
“Você tem tudo para ser feliz.”
“Tem gente muito pior que você no mundo.”
“Problema quem tem são os famintos da África.”
“Depressão é coisa de rico, pobre não pode ter depressão, senão morre de fome.”

E por aí vão às pérolas, com seus julgamentos e veredictos diários, por isso escondemos a nossa doença mental, camuflamos, ocultamos ao máximo, porém, qualquer um que tiver o interesse em observar, detectará a doença rapidamente, pois nossas atitudes nos denunciam às pessoas esclarecidas.

Claro que sempre tem um jumento bem sucedido que se julga o esperto porque conseguiu adquirir um monte de quinquilharias materiais que não poderá levar para o túmulo e, que, se especializou em palpitar na vida de quem julga inferior a ele por não possuir o que ele tem.

Esses são os especialistas de almanaque, relacionam sucesso material com inteligência, o que definitivamente não tem nada a ver com inteligência, mas como vivem sob o efeito Dunning-Kruger, esses ultracrepidários adoram julgar, difamar e palpitar na vida de quem lhes permite isso. O pior é que os “normais” realmente acreditam que esses são superiores, já que possuem mais que eles. Ridículo!

Diante do exposto, só posso dizer que vivo isso desde pequeno, há muitos e muitos anos sei disso, mesmo que nunca lhes tenha dito. Perdi empregos e mais empregos, namoradas, paixões, casamentos, dinheiro e saúde tentando viver de forma “normal.

A minha sorte é que disfarço bem, apesar de que ultimamente não tenho feito a menor questão de esconder nada de ninguém.

Parece que depois de 54 anos, aprendi a ligar a tecla “FODA-SE!”.

Sou assim e ponto final!

Cláudio Nunes Horácio



quarta-feira, 31 de julho de 2019

OS FILHOS E O TEMPO





O tempo, pouco a pouco, me liberará da extenuante fadiga de ter filhos pequenos, das noites sem dormir, das madrugadas em claro e dos dias sem repouso. Do peso que enche meus braços e curva minhas costas. Das vezes que me chamam e não permitem atrasos nem esperas.

O tempo me devolverá a folga aos domingos e as chamadas sem interrupções tão persistentes, essas, aliás, já não serão tão presentes. O tempo, certamente e inexoravelmente esfriará outra vez a minha cama, que agora está aquecida e espremida de corpos pequenos e respirações rápidas.

Esvaziará os olhos de meus filhos, que agora transbordam de um amor poderoso e incontrolável. Tirará de seus lábios meu nome gritado e cantado, chorado e pronunciado cem mil vezes ao dia, ou mais.

Cancelará, pouco a pouco, a confiança absoluta que nos faz um corpo único, com o mesmo cheiro, acostumados a mesclar nossos estados de ânimo, o espaço, o ar que respiramos. Como um rio que escava seu leito, o tempo perigará a confiança que seus olhos têm em mim, como ser onipotente, grandioso, capaz de parar o vento e acalmar o mar, consertar o inconsertável e curar o incurável (Às vezes com um simples "beijinho").

Deixarão de me pedir ajuda, porque já não acreditarão mais que em algum caso eu possa salvá-los. Pararão de me imitar, porque não desejarão parecer-se muito a mim. Deixarão de preferir minha companhia em comparação com os demais, e até me trocarão por meros colegas (E sim, isso naturalmente ocorrerá).

Se esfumaçarão as paixões, as birras e os ciúmes, o amor, o medo... Se apagarão os ecos das risadas e das canções, as sonecas, e os “era uma vez” não me pedirão mais. Com o passar do tempo, meus filhos descobrirão que tenho muitos defeitos e se eu tiver sorte, me perdoarão por alguns deles.

Eles esquecerão, mas ainda assim eu não esquecerei. As cosquinhas e os “corre-corre”, os beijos nos olhos e os choros que de repente param com um abraço, as viagens e as brincadeiras, as caminhadas e a febre alta, as festas, as papinhas, as carícias enquanto adormecíamos lentamente.

Meus filhos esquecerão que os amamentei, que os balancei durante horas, que os levei nos braços e às vezes pelas mãos. Que dei de comer e consolei, que os levantei depois de cem caídas. Esquecerão que dormiram sobre meu peito de dia e de noite, que houve um dia que me necessitaram tanto, como o ar que respiram.

Esquecerão, porque é assim mesmo, porque isto é o que o tempo escolhe, não eu. E eu? Eu terei que aprender a lembrar de tudo para eles, com ternura e sem arrependimentos, incondicionalmente. E que o tempo, astuto e indiferente, seja amável com estes pais, com essa mãe aqui, que não quer esquecer jamais.

Carla Nubia

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Efeito Dunning-Kruger



efeito Dunning-Kruger nos ensina que as pessoas com menos habilidades e conhecimento tendem a superestimar as capacidades que realmente possuem, e vice-versa. Assim, os mais capazes e competentes se subestimam. Como esse estranho fenômeno é explicado?

O criminoso inepto que tentou ser invisível com suco de limão

Em meados da década de 1990, um habitante de 44 anos de Pittsburgh roubou dois bancos em sua cidade em plena luz do dia, sem nenhum traje ou máscara para cobrir seu rosto. Sua aventura criminal terminou dentro de algumas horas depois.



Quando preso, McArthur Wheeler confessou que tinha aplicado suco de limão em seu rosto, na crença de que o suco o tornaria invisível para as câmeras. “Eu não entendo, usei o suco de limão”, falou em soluços no momento de sua prisão.
Mais tarde, soube-se que a idéia sem precedentes do suco era uma sugestão que dois amigos de Wheeler comentaram dias antes do assalto. Wheeler testou a ideia aplicando suco em seu rosto e tirando uma foto para se certificar da eficácia. Na fotografia, o rosto dele não apareceu, provavelmente porque o enquadramento tinha sido um pouco desajeitado e acabou se concentrando no teto da sala em vez do rosto coberto com suco de limão. Sem perceber, Wheeler deu por certo que ficaria invisível durante o assalto.
Meses depois, o professor de psicologia social na Universidade de Cornell, David Dunning, não conseguia acreditar na história do intrépido Wheeler e do suco de limão. Intrigado pelo caso, especialmente pela incompetência exibida pelo ladrão frustrado, ele se propôs a realizar uma investigação com uma hipótese anterior: poderia ser possível que minha própria incompetência me deixasse inconsciente dessa mesma incompetência?
Uma hipótese, algo artificial, mas isso teve muito sentido. Para realizar o estudo que elucidou se a hipótese era verdadeira, Dunning escolheu um aluno brilhante, Justin Kruger, com o objetivo de encontrar dados que confirmariam ou refutariam a ideia. O que eles acharam os deixou ainda mais surpresos.

A investigação




Um total de quatro investigações diferentes foram realizadas, tendo como amostra os alunos da Faculdade de Psicologia da Universidade de Cornell. A competência dos sujeitos nas áreas de gramática , raciocínio lógico e humor (que pode ser definido como a capacidade de achar algo engraçado) foi estudada.
Os participantes do estudo foram questionados, um por um, sobre como estimavam seu grau de competência em cada um dos campos nomeados. Mais tarde, eles foram convidados a responder uma prova escrita para verificar suas reais competências em cada uma das áreas.
Todos os dados foram coletados e os resultados foram comparados, para observar se algum indicador de correlação foi encontrado. Como você pode imaginar, foram encontradas correlações muito relevantes.
Os investigadores perceberam que quanto maior a incompetência do sujeito, menos consciente ele era dela. Por outro lado, os assuntos mais competentes e treinados eram aqueles que, paradoxalmente, tendiam a subestimar suas competências.
Dunning e Kruger tornaram públicos os resultados e as conclusões do seu interessante estudo. Você pode verificar o documento original aqui.

Conclusões sobre o estudo Dunning-Kruger

Os resultados lançados pelo artigo científico podem ser resumidos em uma série de conclusões. Podemos assumir que, para certas competências ou em relação a uma certa área de conhecimento, pessoas incompetentes:
  1. São incapazes de reconhecer sua própria incompetência.
  2. Tendem a não reconhecer a competência de outras pessoas.
  3. Não são capazes de tomar consciência de quão incompetentes são em uma área.
  4. Se forem treinados para aumentar sua competência, serão capazes de reconhecer e aceitar sua incompetência anterior.

Quanto mas ignorantes, mais se percebem inteligentes

Conseqüentemente, o indivíduo que se orgulha de saber cantar como um anjo, mas seus “concertos” estão sempre desertos, é um sinal claro do efeito Dunning-Kruger. Também podemos observar este fenômeno quando os especialistas em algum campo oferecem opiniões e considerações tranquilas sobre um problema, enquanto as pessoas ignorantes na matéria acreditam ter respostas certeiras e simples para as mesmas perguntas.
Você conhece algum profissional médico? Certamente você pode dizer como é a sensação de tomar um medicamento não-prescrito pelo médico com base na ideia equivocada de que, como paciente, “você já sabe o que é bom e o que não é”. A automedicação, neste caso, é outro exemplo claro do efeito Dunning-Kruger.

Por que esse fenômeno ocorre?

Como Dunning e Kruger apontam, essa percepção irreal deve-se ao fato de que as habilidades e competências necessárias para fazer algo certo são, precisamente, as mesmas habilidades necessárias para estimar com precisão o desempenho na tarefa.
Vamos dar alguns exemplos. No caso de minha ortografia ser excepcionalmente ruim, meu conhecimento é necessário para detectar que meu nível em termos de ortografia é muito baixo e, portanto, ser capaz de corrigir meu desempenho é, precisamente, conhecer as regras da ortografia. Só sabendo as regras da escrita serei capaz de tomar consciência da minha incompetência, ou no caso de uma terceira pessoa fizer uma observação, alertando-me sobre os erros de ortografia que fiz quando escrevi um texto. Detectar minha falta de habilidades nesta área não corrigirá minhas lacunas a esse respeito automaticamente. Apenas ficarei ciente de que minhas habilidades exigem mais atenção. O mesmo vale para qualquer outro campo do conhecimento.
Quanto às pessoas que subestimam suas habilidades, podemos dizer que isso ocorre devido ao efeito do falso consenso: eles tendem a pensar que “todos fazem o mesmo”, assumindo que suas habilidades estão dentro da média. No entanto, na realidade, suas habilidades são claramente superiores.

Refletindo sobre o efeito Dunning-Kruger

Se pudermos aprender qualquer coisa com o efeito Dunning-Kruger, não devemos prestar muita atenção quando alguém nos diz que é “muito bom” em algo, ou que “sabe muito” sobre isso ou aquilo. Isso dependerá de como essa pessoa estima suas próprias habilidades, que podem estar erradas de uma maneira ou de outra: seja porque ele superestima ou subestima suas habilidades.
No momento de encontrar e contratar uma pessoa que se dedica a uma área complexa, da qual não temos muitas noções (um cientista da computação, um arquiteto, um assessor fiscal…), nos falta o conhecimento necessário para avaliar seu nível de competência na matéria. É por isso que é tão valioso consultar a opinião de ex-clientes ou amigos que conhecem essa área específica.
Uma coisa curiosa sobre este efeito psicológico é que, além disso, as pessoas incompetentes “não apenas chegam a conclusões erradas e tomam decisões ruins, mas sua incompetência não lhes permite tomar consciência disso”, diz Dunning e Kruger.
A partir desta reflexão emerge outra igual ou até mais importante. Às vezes, a responsabilidade pelas falhas que experimentamos ao longo da vida não é devido a outras pessoas ou à má sorte, mas a nós mesmos e nossas decisões. Para isso, devemos realizar um exercício de autoavaliação quando encontramos um desses obstáculos em um projeto ou trabalho em que estamos imersos.
Absolutamente ninguém é especialista em todas as disciplinas do conhecimento e áreas da vida. Todos nós temos deficiências e ignoramos muitas coisas. Cada pessoa tem algum potencial de melhoria em qualquer fase de sua vida: o erro é esquecer este ponto.

SOLA SCRIPTURA


segunda-feira, 6 de agosto de 2018

JESUS TEVE IRMÃOS?




OS IRMÃOS DE JESUS

Só sendo totalmente analfabeto para entender que a palavra “irmão” significa, na verdade, “primo”.

Para quem é alfabetizado, não há dúvidas de que irmão significa filhos dos mesmos pais.
No grego ou no português há palavras específicas para cada termo, para que não haja problemas de comunicação e de entendimento:

Irmão:
adelfos (adelfoV)

Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas?
E não estão entre nós todas as suas irmãs? (Mateus 13:55,56)

Primo:
anepsios (aneyioV)

“Aristarco, meu companheiro de prisão, envia-lhes saudações, bem como Marcos, primo de Barnabé” (Colossenses 4:10)

Parente:
syngenes (suggeneV)

Vocês serão traídos até por pais, irmãos, parentes e amigos, e eles entregarão alguns de vocês à morte.  (Lucas 21:16)

NÃO EXISTE A MENOR CHANCE DOS IRMÃOS DE JESUS
SEREM SEUS PRIMOS.

Os textos são claros:
Pois nem mesmo os seus irmãos criam nele” (João 7.5), portanto, não eram discípulos dEle, converteram-se após a ressurreição.

Em Atos 1.13-14 lemos:
Tendo chegado, subiram ao cenáculo, onde permaneciam. Os presentes eram Pedro e Tiago, João e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus; Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, filho de Tiago.
Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com seus IRMÃOS”.

Maria, as outras mulheres e os IRMÃOS de Jesus eram pessoas distintas dos apóstolos acima citados. Tiago e Judas, IRMÃOS de Jesus, não estavam incluídos naquela relação.
Juntaram-se aos apóstolos naquela ocasião.